Conselho da Paz de Trump é criado com ambição global e gera debate sobre rivalidade com a ONU

Proposta dos EUA é liderada por Trump e inclui lideranças e empresários em estrutura internacional.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou recentemente a criação de uma nova organização internacional chamada Conselho da Paz, cuja proposta tem gerado reações diversas no cenário global.

Apresentado como uma iniciativa para supervisionar a situação na Faixa de Gaza, o órgão já desperta preocupações por ser apontado como um possível substituto da Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo o próprio presidente norte-americano, o conselho será "o mais distinto e prestigioso já reunido em qualquer época ou lugar". Trump não especificou os objetivos práticos do novo organismo, mas fontes da Casa Branca e documentos revelados pela imprensa indicam que a proposta vai além de Gaza e pretende atuar em conflitos de alcance mundial.

A proposta foi acompanhada do envio de convites a 58 países, entre eles Rússia, China, Brasil, Índia, Turquia, Arábia Saudita, Israel, Argentina, Belarus, Espanha, o regime de Kiev, além da Comissão Europeia. De acordo com uma minuta do estatuto obtida pelo Financial Times, o Conselho da Paz visa promover a estabilidade, restaurar a governança confiável e garantir uma paz duradoura em regiões afetadas ou ameaçadas por conflitos.

O mesmo documento defende a necessidade de uma estrutura internacional "mais ágil e eficaz" do que a atual ONU. A nova organização seria formada exclusivamente por chefes de Estado ou de governo. Já um conselho executivo paralelo incluiria empresários e figuras políticas de destaque. Todas as decisões do órgão dependeriam de aprovação final do presidente dos Estados Unidos, que também teria autoridade para escolher os membros.

A ideia de Trump é liderar pessoalmente o conselho no início. A Casa Branca confirmou que nomes como o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e Jared Kushner, genro do presidente, já fazem parte da estrutura inicial.

Embora alguns países ainda estejam avaliando o convite — como o caso da Rússia, cujo governo informou estar estudando os detalhes —, outros já recusaram. A França foi uma das nações que rejeitou a proposta, alegando que os estatutos "vão além do quadro de Gaza e levantam sérias dúvidas, particularmente no que diz respeito aos princípios e à estrutura das Nações Unidas, que não podem ser questionados", conforme afirmou o gabinete do presidente Emmanuel Macron ao site Politico.

A recusa provocou reação imediata de Trump, que ameaçou impor uma tarifa de "200% sobre os vinhos franceses" e afirmou que Macron "não é querido por ninguém" porque "em breve deixará o cargo".

Um funcionário da administração americana informou ao site Axios que o Conselho da Paz "não se limitará a Gaza" e que o foco inicial será o hemisfério ocidental.

Segundo ele, "é um Conselho da Paz para o mundo inteiro", mas dentro da lógica do slogan "América Primeiro". "A América continua sendo a líder mundial", acrescentou.