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30 anos do 'ET de Varginha': história do extraterrestre brasileiro que ainda permanece viva

Entre acusações de fantasia, engano e encobertamento, a fatídica noite de 20 janeiro de 1996 ainda reserva seus mistérios para a pequena cidade no interior de Minas Gerais.
30 anos do 'ET de Varginha': história do extraterrestre brasileiro que ainda permanece vivaGettyimages.ru / vchal

Três décadas se passaram desde 20 de janeiro de 1996, quando a cidade brasileira de Varginha, em Minas Gerais, passou da banalidade do interior brasileiro ao epicentro da ufologia mundial.

Naquele dia, três adolescentes brasileiras afirmaram ter visto uma criatura estranha, horas depois de moradores da região relatarem ter avistado um objeto voador não identificado.

Nesse último fim de semana, a cidade sediou um congresso ufológico mundial, em homenagem ao aniversário da ocorrência, demonstrando sua sobrevida e permanência nas mentes e corações de brasileiros. Investigações paracientíficas, testemunhos da época — desmentidos — um relatório oficial e revisões periódicas do caso mantiveram essa história viva até hoje. 

Os primeiros testemunhos

A história tem origem no relato de três jovens: Liliane Fátima Silva, de 16 anos, sua irmã Valquíria, de 14 anos, e sua amiga Kátia Andrade Xavier, de 22 anos.

Às 15h30 daquele dia, enquanto subiam por um caminho que passava por um terreno baldio no bairro Parque Andere, Liliane foi a primeira a avistar uma criatura estranha. Na ocasião, descreveram-na como um ser com três protuberâncias na cabeça, olhos vermelhos enormes, pele viscosa e marrom, braços e pernas semelhantes aos humanos e três chifres. A criatura estava agachada perto do muro que separava o terreno de uma oficina mecânica.

O relato, por si só, poderia ter sido desmerecido como um capricho da imaginação. Porém, na madrugada daquele dia, um casal de agricultores, Orlina Augusta e Eurico Rodrigues, afirmou ter visto um objeto voador não identificado.

Os dois relataram que acordaram com o alvoroço dos animais, que corriam de um lado para o outro no pasto em frente à sua janela. Ao olhar para o céu, teriam avistado um objeto cinzento, com formato semelhante a um submarino, do tamanho de uma van, sobrevoando seu terreno a cerca de cinco metros do solo, lentamente, sem luzes ou ruído, mas soltando uma fumaça branca.

O testemunho das três adolescentes foi analisado por um advogado e ufólogo local, Ubirajara Rodrigues, que concluiu que as jovens não haviam visto nem um demônio nem um animal, mas sim um ser extraterrestre.

Notícia nacional e fenômeno global

O ocorrido em Varginha se tornou imediatamente notícia nacional e alcançou a maior popularidade já registrada para um acontecimento dessa natureza no Brasil. O evento ganhou força em um momento em que ainda ecoava o grande sucesso de E.T. – O Extraterrestre, de Steven Spielberg, da década anterior.

Enquanto alguns celebram a efeméride, outros a aproveitam para desmentir toda a história. Assim, o Superior Tribunal Militar divulgou no início deste mês de janeiro a investigação interna conduzida no âmbito militar, que concluiu que o caso foi "fruto de erros e rumores".

São dois volumes de uma Investigação Policial Militar (IPM) iniciada em 1997 sobre a suposta participação de militares e veículos do Exército na apreensão e transporte do alegado alienígena. O relatório descreve o incidente como "uma história fictícia que surgiu em um dia de fortes chuvas – incluindo relatos de granizo –, quando três jovens afirmaram ter visto uma suposta criatura agachada perto de um muro em um bairro da cidade".

Apesar da versão oficial, o episódio atraiu ufólogos de todo o mundo. O interesse pela história ainda não foi esgotado, mesmo décadas após a ocorrência, como demonstram o novo documentário O Mistério de Varginha, lançado pela TV Globo neste ano, e as sucessivas matérias exibidas em canais brasileiros para marcar este aniversário.

O caso não ficou restrito ao Brasil: acabou recebendo atenção de todo mundo, e veículos de comunicação internacionais repercutiram o fato.

O papel do Exército brasileiro

O caso também ganhou repercussão devido ao suposto papel de encobrimento atribuído por muitas vozes ao Exército brasileiro. Vários moradores afirmaram ter visto movimentações suspeitas de militares, como caminhões se deslocando para hospitais da cidade e veículos do corpo de bombeiros. As autoridades, contudo, descreveram essas ações como atividades de rotina.

Em depoimentos com vozes distorcidas, supostos militares prestaram declarações para os trabalhos de diversos ufólogos. A hipótese defendida era a de que o alegado alienígena teria sido capturado com vida pelos militares e levado a um hospital da região, onde teria morrido, sendo posteriormente transportado para um laboratório secreto para ser submetido a todo tipo de análises.

A intriga ganhava força. Soldados, superiores e bombeiros foram acusados de cumplicidade em um suposto engano à população.

Explicação oficial

A explicação oficial defende uma interpretação equivocada das adolescentes em um dia de clima adverso. Sustenta-se que o mais provável é que o que tenham visto naquele dia fosse Luís Antonio de Paula, conhecido como Mudinho.

Mudinho era um morador da região conhecido por seus transtornos psicológico. Ele cotumava andar pela cidade agachado, na mesma postura que as três testemunhas afirmaram ter visto o extraterrestre. Este ponto foi negado pelas jovens, que disseram conhecer Mudinho muito bem e que não poderiam tê-lo confundido.

A história se espalhou como uma onda pela cidade de apenas 135 mil habitantes, atraindo visitantes de outras regiões e impulsionando o turismo local.

Assim, a Prefeitura se empenhou em transformar um reservatório de água no centro da cidade em um disco voador, espalhou pela urbe várias estátuas em homenagem ao alienígena e chegou a inaugurar um Memorial do ET.