
Primeiro-ministro da Bélgica indica que prefere ser 'vassalo feliz' dos EUA do que 'escravo miserável'

O primeiro-ministro da Bélgica, Bart De Wever, criticou, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos na terça-feira (20), as ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de anexar a Groenlândia, dizendo que o republicano está "ultrapassando limites" nas relações com seus parceiros europeus.

"Agora tantas linhas vermelhas estão sendo cruzadas. Ser um vassalo feliz é uma coisa. Ser um escravo miserável é outra bem diferente", declarou De Wever, destacando que até agora os países europeus tentavam "apaziguar" Trump. "Se você recuar agora, perderá sua dignidade", acrescentou.
O primeiro-ministro também afirmou que reafirmaria essa posição pessoalmente a Trump, em uma reunião planejada para esta quarta-feira (21).
A ameaça que rachou a OTAN
- Trump tem insistido em conseguir, "de um jeito ou de outro", que a Groenlândia passe a fazer parte dos Estados Unidos, alegando que barcos de várias nações navegam perto da costa norte americana e que, por isso, Washington precisa "ficar atento". "Sim, precisamos da Groenlândia, absolutamente. Precisamos dela para nossa defesa", reforçou Trump. O presidente deixou claro que não descarta a via militar para se apropriar do território, embora promova preferencialmente a via de um acordo financeiro.
- França, Alemanha, Suécia e Noruega se juntaram em uma missão militar de treinamento na Groenlândia na quinta-feira (15), denominada 'Arctic Endurance'. Como parte da Dinamarca, o território é protegido pela OTAN.
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- Trump anunciou sua resposta aos exercícios militares no sábado (17), divulgando a imposição de uma tarifa de 10% sobre todos os produtos aos países europeus que participaram do treinamento. Vigorando a partir de 1º de fevereiro, as taxas aumentariam para 25% em 1º de junho de 2026.
- Oito países afetados pelas tarifas — todos membros da OTAN — divulgaram uma declaração conjunta no domingo (18), na qual condenam as medidas de Trump por "minar as relações transatlânticas e acarretar o risco de uma perigosa espiral descendente". O presidente francês Emmanuel Macron declarou no mesmo dia que mobilizará a União Europeia para aplicar sua 'bazuca comercial' contra os Estados Unidos — um pacote de medidas poderia bloquear o acesso dos EUA aos mercados da UE.
