Notícias

'Quem não está à mesa, está no cardápio': Canadá pede união contra 'coerção' das grandes potências

O primeiro-ministro canadense observou que as nações poderosas começaram a usar a integração econômica como uma "arma", e as tarifas como uma "alavanca".
'Quem não está à mesa, está no cardápio': Canadá pede união contra 'coerção' das grandes potênciasAP / Sean Kilpatrick

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, declarou na terça-feira (20) que a antiga ordem internacional baseada em regras chegou ao fim e apelou às potências médias para que se unam a fim de evitar medidas coercitivas por parte das potências dominantes.

Em seu discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, Carney argumentou que a estrutura de poder que ainda molda as relações internacionais pode ser definida como "um sistema de crescente rivalidade entre grandes potências".

Carney também alertou: "As grandes potências começaram a usar a integração econômica como arma. Tarifas como forma de pressão. Infraestrutura financeira como coerção. Cadeias de suprimentos como vulnerabilidades a serem exploradas."

O primeiro-ministro canadense afirmou que o multilateralismo e a cooperação internacional, apoiados por instituições como as Nações Unidas, a Organização Mundial do Comércio e a Conferência das Partes, perderam sua força, e que as potências médias podem ser forçadas a agir de forma mais independente.

O chefe de Estado alertou que "um país que não consegue se alimentar, ou se defender, tem poucas opções" e que "quando as regras deixam de protegê-lo, ele precisa se proteger". Mark Carney também afirmou que essa abordagem empobreceria, enfraqueceria e reduziria a resiliência dos países. No entanto, ele enfatizou que a cooperação com aliados que compartilham os mesmos ideais deve ser incentivada sempre que possível para contrabalançar a dominância de países maiores, mais ricos e melhor armados.

"Se você não está à mesa, você está no cardápio"

"Isso não é multilateralismo ingênuo. E não se trata de confiar em instituições enfraquecidas", disse Carney, especificando que propõe "construir coalizões que trabalhem [...] com parceiros que tenham interesses comuns suficientes para agir em conjunto". "As potências médias devem se unir, porque se você não está à mesa, você está no cardápio", acrescentou.

Carney explicou que as grandes potências podem agir de forma independente devido ao tamanho de seus mercados, capacidades militares e influência para impor condições, enquanto que potências médias como o Canadá não possuem tais vantagens. Em outro momento de seu discurso, o líder canadense expressou apoio à Groenlândia e à Dinamarca, declarando que somente eles têm o direito de decidir sobre o futuro da ilha.

Segundo a Bloomberg, os comentários de Carney foram particularmente marcantes, dada a profunda integração econômica do Canadá com os Estados Unidos e o potencial de retaliação do presidente Donald Trump, embora ele não tenha mencionado o presidente americano em seu discurso. O Canadá e o México estão se preparando para negociar com os Estados Unidos um acordo comercial que engloba toda a América do Norte, enquanto que autoridades americanas cogitaram publicamente a possibilidade de se retirarem do acordo e partirem para negociações bilaterais.