A ambição de certas forças políticas japonesas de remilitarizar o país preocupa a Rússia, declarou na terça-feira (20) o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, durante uma coletiva de imprensa sobre os resultados diplomacia russa em 2025.
"Gostaria de destacar que no Japão foram intensificados os debates para modificar a Constituição, não apenas no que diz respeito ao aumento do potencial militar ofensivo do Exército, mas também à revisão do status de país não nuclear", afirmou o ministro.
Lavrov ressaltou que a Rússia acompanha atentamente o desenvolvimento da cooperação político-militar e estratégica do Japão com os Estados Unidos, bem como o aumento das atividades militares conjuntas na região, que envolvem não apenas os EUA, mas também outros membros da OTAN.
"Tudo isso ocorre nas proximidades de nossas fronteiras e, considerando o caráter, em certa medida, caótico da evolução dos acontecimentos no cenário internacional, não tem como não ficarmos preocupados", acrescentou o chanceler.
Mobilização de mísseis
Lavrov também comentou sobre os exercícios militares conjuntos de grande escala realizados em setembro do ano passado entre os Estados Unidos e o Japão, nos quais foi utilizado o sistema norte-americano de mísseis de médio alcance Typhon.
"Essas baterias do complexo móvel Typhon […] foram mobilizadas, segundo nos informaram, de forma temporária, apenas para a realização de determinados exercícios. No entanto, de acordo com nossas informações, esses sistemas Typhon, projetados para lançar mísseis de cruzeiro Tomahawk, não foram retirados do território japonês", explicou o ministro, ressaltando que, por tal motivo, a preocupação de Moscou permanece.
Lavrov lembrou que, em novembro do ano passado, o ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, anunciou planos para implantar mísseis de médio alcance na ilha de Yonaguni, próxima a Taiwan.
"Essa também não é, provavelmente, a medida mais pacífica, mas exatamente o contrário", comentou.