Trump sobre Maria Corina: 'Talvez possamos envolvê-la de alguma forma'

Contradição do presidente norte-americano em relação a falas anteriores chamou a atenção.

O presidente dos EUA, Donald Trump, contradisse sua opinião anterior sobre a líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, nesta terça-feira (20), dizendo que ela poderia desempenhar um papel político no país sul-americano. 

"E uma mulher incrivelmente gentil também fez algo incrível, como vocês sabem, há alguns dias. Eu estava conversando com ela e talvez possamos envolvê-la de alguma forma. Eu adoraria poder fazer isso. Maria [Corina Machado], talvez possamos fazer isso", disse o presidente em uma coletiva de imprensa na Casa Branca, referindo-se ao encontro privado que tiveram na semana anterior, no qual Machado lhe entregou o Prêmio Nobel da Paz.

Mudou de ideia?

Em 3 de janeiro, horas depois de ordenar bombardeios contra a Grande Caracas e de ter feito com que forças especiais do Exército dos EUA sequestrassem o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, Trump disse à imprensa que Machado não tem apoio nem "respeito" em seu país, o que a desqualifica para ocupar o cargo mais alto do país.

Além disso, em declarações posteriores, o político republicano falou positivamente sobre a presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, e chegou a revelar que teve uma "ótima conversa" com ela. 

Rodríguez, que tomou posse como presidente encarregada em 5 de janeiro, de acordo com as leis locais, descreveu a conversa como "produtiva e cortês" e afirmou que ocorreu "dentro de uma estrutura de respeito mútuo". 

No dia da visita informal de Machado à Casa Branca, a imprensa perguntou à porta-voz presidencial Karoline Leavitt sobre a opinião de Trump a respeito do líder venezuelano de ultradireita.

Ela respondeu: "Acredito que a avaliação do presidente que você acabou de mencionar foi baseada na realidade dos fatos. Foi uma avaliação realista, baseada no que o presidente estava lendo e ouvindo de seus assessores e da equipe de segurança nacional, e até agora, sua opinião sobre o assunto não mudou. Ele também disse que não há nada que ele possa fazer a respeito."

Na última sexta-feira (16), a imprensa voltou a questionar o mandatário sobre o papel de Machado no governo venezuelano, e ele justificou seu apoio a Rodríguez com base no possível caos que seria gerado pela expulsão de todos os membros do governo, como aconteceu no Iraque após a invasão dos EUA. 

Agressão contra a Venezuela e sequestro de Maduro