'Esse mundo sem regras foi criado pelos europeus', diz especialista ao rebater Macron

Analista Pascual Serrano argumenta que as intervenções ocidentais minaram a ordem internacional e prevê uma desintegração gradual da União Europeia como consequência de suas próprias divergências internas.

O presidente francês, Emmanuel Macron, alertou para o advento de um "mundo sem regras", onde prevalece a lei do mais forte.

Em resposta a esse alerta, o jornalista Pascual Serrano argumenta que essa desordem foi, na verdade, criada pelas potências ocidentais. Em entrevista à RT, ele apresenta um panorama histórico e vislumbra um futuro incerto para a unidade europeia.

'UE e OTAN criaram um mundo sem regras'

Serrano questiona a sinceridade do alarme de Macron. Ele argumenta que a UE e a OTAN, com o apoio dos Estados Unidos, têm sido as principais arquitetas da erosão do direito internacional por meio de intervenções militares.

"Nós, europeus, criamos este mundo sem regras, com a OTAN e o apoio dos Estados Unidos. O ataque à Iugoslávia, o ataque ao Iraque, à Síria, à Líbia e agora à Venezuela. E quando vêm reivindicar um pedaço da Europa, a Groenlândia, dizemos que está sendo criado um mundo sem regras. O que, na minha opinião, não é sincero, não é honesto".

O jornalista acrescenta que, dado este histórico, não tem muita esperança de que a Europa surja como uma alternativa construtiva ao caos atual, uma vez que "demonstrou que nunca esteve do lado do direito internacional e dos direitos dos povos".

Previsão: uma UE fragmentada por interesses divergentes

Para além das críticas, Serrano prevê uma possível ruptura no seio da União Europeia. Ele salienta que a lentidão burocrática — exemplificada pelos 26 anos de negociações do acordo com o Mercosul — impede uma ação coordenada eficaz.

Sua previsão é que, em vez de uma política comum, os interesses nacionais prevalecerão: "Acho que haverá iniciativas de países que podem se aproximar da China ou da Rússia. Aliás, acho que a Espanha tem tido uma certa reaproximação com a China, e sabemos que a Hungria tem tido com a Rússia".

Serrano prevê, por fim, um cenário em que "a União Europeia se desintegraria ou a coordenação seria desfeita", porque cada país seguiria seu próprio caminho.