Macron reclama de 'falta de respeito' contra Europa e pede uso de 'bazuca comercial'

O presidente francês afirmou durante o Fórum Econômico de Davos que a Europa possui "ferramentas muito fortes" que devem ser utilizadas, em meio a recentes ameaças tarifárias por parte de Washington.

O presidente francês, Emmanuel Macron, em seu discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, instou os países europeus a reagirem e utilizarem a chamada "bazuca comercial" diante da "falta de respeito" e do fato de que a competitividade da região "continua atrás" da dos EUA e da China.

"A Europa tem agora ferramentas muito fortes, e temos que usá-las quando não somos respeitados e quando as regras do jogo não são respeitadas", disse ele.

Ele acrescentou que, atualmente, a Europa precisa resolver suas questões fundamentais, entre elas a falta de crescimento do PIB per capita, e indicou que os três pilares da estratégia europeia devem se basear na proteção, simplificação e investimento.

Nesse contexto, ele observou que "hoje em dia, os europeus são muito ingênuos", pois "o mercado único está aberto a todos". Ele acrescentou que "os europeus são os únicos que não protegem suas próprias empresas e seus próprios mercados quando os outros países não respeitam a igualdade de condições".

"O mecanismo anticoerção é um instrumento poderoso e não devemos hesitar em utilizá-lo no difícil contexto atual", declarou.

Anteriormente, foi noticiado que, em uma reunião de representantes da União Europeia (UE) no domingo passado, o presidente francês propôs a utilização do Instrumento contra a Coerção.

O que é o Instrumento contra coerção?

O Instrumento contra coerção, conhecido como a "bazuca comercial", permite congelar o acesso aos mercados europeus de contratos públicos ou bloquear determinados investimentos, entre outras coisas. Este mecanismo poderia bloquear parte do acesso dos EUA aos mercados da UE ou impor controles às exportações, entre uma lista mais ampla de possíveis contramedidas.

O mecanismo, que foi adotado pelo bloco comunitário em 2023 como elemento dissuasor para combater medidas comerciais que um país terceiro utilize para pressionar um dos 27 Estados-Membros, nunca foi utilizado até ao momento.