
OTAN restringe informações aos EUA em meio a tensões acerca da Groenlândia, revela imprensa

As seguidas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a intenção de anexar a Groenlândia provocaram uma crise de confiança dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), levando autoridades europeias a restringir o compartilhamento de informações com Washington, revelou o jornal The Paper na segunda-feira (19).

Segundo um alto funcionário da OTAN, as falas de Trump estão "gerando tensões e desconfiança" entre aliados. De acordo com outra fonte, o ambiente se deteriorou a ponto de integrantes da aliança evitarem se manifestar abertamente em reuniões, por receio de que informações sejam interceptadas e usadas para sustentar planos de tomada da ilha dinamarquesa.
A cautela tem paralisado canais rotineiros de troca de inteligência, afirma o veículo. Países europeus estariam bloqueando o fluxo de dados de segurança compartilhados, fundamentais para ações conjuntas contra ameaças que vão de conflitos convencionais a operações clandestinas.
Uma fonte da área de inteligência alertou que as ações de Trump "rompem alianças podem alterar profundamente a ordem global nas próximas décadas".
A ameaça que rachou a OTAN
- Trump tem insistido em conseguir, "de um jeito ou de outro", que a Groenlândia passe a fazer parte dos Estados Unidos, alegando que barcos de várias nações navegam perto da costa norte americana e que, por isso, Washington precisa "ficar atento". "Sim, precisamos da Groenlândia, absolutamente. Precisamos dela para nossa defesa", reforçou Trump. O presidente deixou claro que não descarta a via militar para se apropriar do território, embora promova preferencialmente a via de um acordo financeiro.
- França, Alemanha, Suécia e Noruega se juntaram em uma missão militar de treinamento na Groenlândia na quinta-feira (15), denominada 'Arctic Endurance'. Como parte da Dinamarca, o território é protegido pela OTAN.
- Trump anunciou sua resposta aos exercícios militares no sábado (17), divulgando a imposição de uma tarifa de 10% sobre todos os produtos aos países europeus que participaram do treinamento. Vigorando a partir de 1º de fevereiro, as taxas aumentariam para 25% em 1º de junho de 2026.
- Oito países afetados pelas tarifas — todos membros da OTAN — divulgaram uma declaração conjunta no domingo (18), na qual condenam as medidas de Trump por "minar as relações transatlânticas e acarretar o risco de uma perigosa espiral descendente". O presidente francês Emmanuel Macron declarou no mesmo dia que mobilizará a União Europeia para aplicar sua 'bazuca comercial' contra os Estados Unidos — um pacote de medidas poderia bloquear o acesso dos EUA aos mercados da UE.
