
Dinamarca amplia e estende os exercícios da OTAN na Groenlândia para o ano todo

O Comando Conjunto Ártico da Dinamarca ampliou significativamente seus exercícios militares na Groenlândia, com planos para que sua operação "Arctic Endurance" potencialmente se estenda ao longo de todo o ano, confirmou na segunda-feira (19) ao jornal local Sermitsiaq o major-general Soren Andersen, chefe do comando na ilha.

A operação, liderada pela Dinamarca, inclui tropas nacionais e militares de aliados da OTAN, como França e Suécia, com os Estados Unidos também sendo convidados a participar. Seu objetivo central é treinar a proteção da infraestrutura crítica da ilha ártica, considerada o flanco norte defensivo da aliança.
"Se quisermos defender a Groenlândia e o flanco norte da OTAN, o treinamento é essencial", declarou Andersen. Diferentemente dos exercícios de verão anteriores, a expansão permitirá o treinamento em condições extremas de inverno, como escuridão prolongada e neve.
Segundo a Bloomberg, a decisão surge em meio à crescente pressão dos EUA pelo controle estratégico do Ártico. No entanto, Andersen descartou qualquer ameaça militar iminente contra a ilha: "Não vejo um país membro da OTAN atacando outro. Simplesmente não vejo isso acontecendo", afirmou.
A ameaça que rachou a OTAN
- Trump tem insistido em conseguir, "de um jeito ou de outro", que a Groenlândia passe a fazer parte dos Estados Unidos, alegando que barcos de várias nações navegam perto da costa norte americana e que, por isso, Washington precisa "ficar atento". "Sim, precisamos da Groenlândia, absolutamente. Precisamos dela para nossa defesa", reforçou Trump. O presidente deixou claro que não descarta a via militar para se apropriar do território, embora promova preferencialmente a via de um acordo financeiro.
- França, Alemanha, Suécia e Noruega se juntaram em uma missão militar de treinamento na Groenlândia na quinta-feira (15), denominada 'Arctic Endurance'. Como parte da Dinamarca, o território é protegido pela OTAN.
- Trump anunciou sua resposta aos exercícios militares no sábado (17), divulgando a imposição de uma tarifa de 10% sobre todos os produtos aos países europeus que participaram do treinamento. Vigorando a partir de 1º de fevereiro, as taxas aumentariam para 25% em 1º de junho de 2026.
- Oito países afetados pelas tarifas — todos membros da OTAN — divulgaram uma declaração conjunta no domingo (18), na qual condenam as medidas de Trump por "minar as relações transatlânticas e acarretar o risco de uma perigosa espiral descendente". O presidente francês Emmanuel Macron declarou no mesmo dia que mobilizará a União Europeia para aplicar sua 'bazuca comercial' contra os Estados Unidos — um pacote de medidas poderia bloquear o acesso dos EUA aos mercados da UE.
