Celso Amorim sobre sequestro de Nicolás Maduro: 'Como podemos viver em um mundo sem regras?'

Assessor de Lula alerta que ataque militar dos EUA evidencia a fragilidade das regras internacionais e o retorno da força como instrumento de poder.

O assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, em artigo publicado pela revista The Economist na segunda-feira (19) comentou sobre o "sequestro forçado de um presidente em exercício", referindo-se ao sequestro de Nicolás Maduro em 3 de janeiro pelas forças armadas norte-americanas.

Para Amorim, o ataque promovido pelos Estados Unidos foi um ataque à "certeza de que a América do Sul é, e continuará sendo, um continente de paz".

Para o diplomata, ações desse tipo representam uma ameaça direta ao direito internacional e à estabilidade global, evidenciando um cenário em que regras e limites legais parecem ser cada vez mais frágeis.

"Como podemos viver em um mundo sem regras?", questiona.

Amorim destaca que, mesmo com os avanços do direito internacional e das normas multilaterais, as decisões unilaterais continuam ganhando espaço, corroendo pilares fundamentais como a segurança coletiva, o comércio internacional e os direitos humanos.

O diplomata compara as imagens do sequestro de Maduro à captura de Saddam Hussein em 2003, ressaltando que a operação norte‑americana foge tanto aos padrões históricos de golpes na América Latina quanto às práticas que se julgavam superadas nas relações internacionais.

"Da América Latina aos BRICS" 

Diante de tal instabilidade, Amorim defende que o Brasil fortaleça parcerias estratégicas, diversifique suas relações e mantenha o compromisso com o multilateralismo. Princípios como soberania, não intervenção e solução pacífica de conflitos devem continuar sendo prioritários.

"O atual cenário geopolítico reforça a escolha do Brasil de se abrir à cooperação com uma ampla gama de parceiros, da América Latina aos BRICS e além", cita Amorim.

Para o diplomata, a estabilidade e a paz regional dependem do diálogo, da diplomacia e da preservação das normas internacionais construídas ao longo do século XX.