Reino Unido reage à ameaça de Trump sobre tarifas ligadas à Groenlândia

Chanceler britânica afirmou que o futuro da Groenlândia cabe apenas aos groenlandeses e aos dinamarqueses.

A chanceler britânica Yvette Cooper declarou nesta segunda-feira (19), durante discurso na Câmara dos Comuns, que a ameaça de tarifas feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra aliados europeus, incluindo o Reino Unido, é "completamente errada, injustificada e contraproducente".

A medida foi anunciada por Trump no sábado (17), sob a alegação de que os países-alvo estariam envolvidos em decisões sobre o futuro da Groenlândia sem o aval de Washington.

Cooper afirmou que a resposta do Reino Unido baseia-se em três princípios fundamentais:o respeito à soberania da Groenlândia e da Dinamarca, a rejeição ao uso de tarifas contra aliados, e a importância da cooperação internacional para a segurança no Ártico.

"A Groenlândia faz parte do Reino da Dinamarca. Seu futuro é uma questão para os groenlandeses e dinamarqueses, e somente para eles", disse a chanceler.

Segundo Cooper, as ameaças tarifárias surgiram após a coordenação de atividades militares dinamarquesas no âmbito do programa "Arctic Endurance", voltado para respostas a ameaças do lado russo no Ártico. Um oficial militar britânico participou, em caráter de observador, de uma visita de planejamento a pedido do governo dinamarquês.

"Esse tipo de cooperação entre aliados deveria ser reconhecido por sua importância, e não usado como justificativa para pressões econômicas", declarou.

O governo britânico afirmou estar atuando "intensivamente" para evitar uma escalada comercial entre os dois lados do Atlântico.

O primeiro-ministro do Reino Unido conversou diretamente com o presidente Trump, além de funcionários do alto escalão dinamarquês e de outros países europeus. "Uma guerra comercial prejudicaria trabalhadores e empresas dos dois lados", advertiu Cooper.

Ela também reforçou que sete dos oito países situados ao norte do Círculo Polar Ártico são membros da OTAN, e que a segurança da região deve ser construída coletivamente.

Ela também mencionou o envolvimento do Reino Unido em uma série de exercícios militares no Atlântico Norte e no Ártico ao longo de 2026, inclusive com participação de mais de 1.700 militares britânicos na Força Expedicionária Conjunta liderada por Londres.

Por fim, Cooper afirmou que "alianças duradouras se constroem com respeito, não com pressão", e concluiu destacando a unidade entre os partidos britânicos na defesa da soberania da Groenlândia e da segurança regional. "Estamos firmes em nossos princípios e comprometidos em proteger os interesses do Reino Unido". 

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