O Egito aceitou oficialmente uma proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para mediar a longa e tensa disputa com a Etiópia pela Grande Barragem do Renascimento Etíope (GERD), no Rio Nilo. O anúncio foi publicado pelo presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, em uma publicação na rede social X no sábado (17).
Em resposta a uma carta de Trump, Sisi reiterou as "preocupações do Egito com sua segurança hídrica" e afirmou valorizar a atenção do presidente americano ao tema.
"O Egito reafirmou seu compromisso com uma cooperação séria e construtiva com os países da Bacia do Nilo, baseada nos princípios do direito internacional, de forma a alcançar interesses comuns sem prejudicar nenhuma das partes", escreveu.
O Egito, que depende do Nilo para cerca de 90% de sua água doce, teme que o enchimento e a operação da barragem reduzam drasticamente seu abastecimento. A Etiópia, por sua vez, defende o projeto de US$ 5 bilhões da maior usina hidrelétrica da África, inaugurada em setembro de 2025, como vital para gerar eletricidade para sua população, da qual quase metade não tem acesso confiável à energia. Addis Abeba garante que a barragem não prejudicará os países rio abaixo.
Em comunicado na sexta-feira (16), Trump afirmou que Washington estava pronto para retomar as negociações entre Egito e Etiópia e resolver a questão "de uma vez por todas", afirmando que "nenhum estado deve controlar unilateralmente os preciosos recursos do Nilo".