
'Completamente inaceitável': Starmer critica tarifas de Trump contra Reino Unido

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, classificou como "completamente inaceitável" o uso de tarifas pelos EUA contra Londres em retaliação ao apoio que vários países europeus têm demonstrado à Groenlândia em meio às recentes tensões em torno da ilha.
"O uso de tarifas dessa forma é completamente inaceitável", afirmou Starmer no domingo (18), durante uma coletiva de imprensa de emergência na capital britânica. "Acho que isso pode ser resolvido e deve ser resolvido por meio de uma discussão tranquila", acrescentou.

Atritos dentro da OTAN por causa da Groenlândia
O presidente dos Estados Unidos anunciou no sábado (17) a imposição de uma tarifa de 10% sobre todos os produtos de uma série de países europeus que enviaram forças militares à Groenlândia dias atrás, em meio às tensões em torno de suas ambições de se apoderar desse território dinamarquês. Em vigor a partir de 1º de fevereiro, as taxas aumentariam para 25% em 1º de junho de 2026.
"Essa tarifa será exigível e pagável até que seja alcançado um acordo para a compra completa e total da Groenlândia", acrescentou.
Vários países da Europa enviaram recentemente seus contingentes à Groenlândia para realizar manobras militares, em meio às tensões com os EUA, causadas pelas declarações ameaçadoras de Trump de tomar posse da ilha.
Diante dos planos declarados por Washington, oito países afetados — todos membros da OTAN — divulgaram uma declaração conjunta no domingo, na qual confirmam sua solidariedade com a Dinamarca e sua autonomia e respeito à sua soberania e integridade territorial, ao mesmo tempo em que condenam as ameaças de Trump por "minar as relações transatlânticas e acarretar o risco de uma perigosa espiral descendente".
- Trump tem insistido em conseguir, "de um jeito ou de outra", que a Groenlândia passe a fazer parte dos Estados Unidos, alegando que barcos de várias nações navegam perto da costa norte americana e que, por isso, Washington precisa "ficar atento". "Sim, precisamos da Groenlândia, absolutamente. Precisamos dela para nossa defesa", reforçou Trump. Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, rebateu dizendo que a narrativa sobre a presença de navios chineses na Groenlândia não é verdadeira.
- Nem as autoridades da Groenlândia nem as da Dinamarca aceitaram as intenções de Trump e insistem que sua soberania seja respeitada.
- A administração Trump deixou claro que não descarta a via militar para se apropriar do território. Outra possibilidade em estudo seria oferecer à Groenlândia um acordo no estilo do Pacto de Livre Associação (COFA, na sigla em inglês), que daria às forças americanas direitos de acesso exclusivo às águas territoriais e ao espaço aéreo da ilha, em troca de assistência econômica e financeira.
Em resposta às recentes alegações de Washington de anexação da ilha, os líderes da França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca declararam em um comunicado conjunto na semana passada que "a Groenlândia pertence ao seu povo" e que "cabe à Dinamarca e à Groenlândia, e somente a elas, decidir sobre assuntos que lhes dizem respeito".
- Em 15 de janeiro, França, Alemanha, Suécia e Noruega se juntaram em uma missão militar europeia na Groenlândia. Os países enviarão militares para uma operação conjunta após repetidas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tomar o controle da ilha. O território faz parte da Dinamarca e é protegido pela OTAN.
Confira tudo o que você precisa saber sobre a Groenlândia e sua importância para os Estados Unidos neste artigo.
