
Caracas desmente 'conversas secretas' entre Diosdado Cabello e autoridades dos EUA

O governo venezuelano negou a existência de quaisquer contatos secretos entre o ministro das Relações Internas, Justiça e Paz, Diosdado Cabello, e as autoridades dos Estados Unidos. A declaração foi publicada no domingo (18) no perfil Miraflores al Momento, inaugurado pela presidente encarregada Delcy Rodríguez como um canal informativo do governo venezuelano nas redes sociais.

Caracas reagiu à reportagem da Reuters de que autoridades do governo Donald Trump teriam mantido conversas com Cabello meses antes da agressão de Washington contra o país latino-americano para sequestrar o presidente Nicolás Maduro.
"Negamos categoricamente as informações maliciosas publicadas nas redes sociais sobre supostas conversas secretas e conspiratórias que buscam dividir o alto comando político do país e têm a intenção de minar o prestígio e a integridade revolucionária de Diosdado Cabello", diz o um comunicado do Poder Executivo da República Bolivariana.
O governo do país refutou as "notícias falsas" sobre uma suposta premiação concedida da Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA), afirmando que se tratava de uma campanha para semear desconfiança dentro das forças governantes.
A presidente encarregada do país, Delcy Rodríguez, reiterou que o gabinete mantém a linha política estabelecida pelo líder bolivariano.
Ela afirmou que "o inimigo está agindo, tanto o inimigo externo quanto o extremismo interno; eles estão trabalhando para dividir nosso povo, e a melhor resposta é calma, paciência e prudência estratégica", ao insistir na necessidade de manter a união diante das notícias sobre supostos contatos de alto nível com Washington.
Agressão contra a Venezuela e sequestro de Maduro
- Os EUA lançaram um ataque militar massivo em território venezuelano no dia 3 de janeiro. A operação terminou com o sequestro de Maduro e Flores, que foram levados para Nova York.
- Caracas classificou as ações de Washington como uma "gravíssima agressão militar" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação".
- Maduro se declarou inocente em sua primeira audiência perante a Justiça dos EUA no Tribunal do Distrito Sul de Nova York, acusado de narcoterrorismo. Flores procedeu da mesma forma.
- A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, tomou posse no dia 5 de janeiro como presidente encarregada do país sul-americano.
- Diversas lideranças da comunidade internacional, dentre elas as da Rússia e da China, urgiram as autoridades americanas a libertar Maduro e sua esposa.
- O Ministério das Relações Exteriores da Rússia destacou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu destino sem qualquer intervenção externa. "Reafirmamos a solidariedade inabalável da Rússia com o povo e o governo venezuelanos. Desejamos à presidente encarregada Delcy Rodríguez sucesso na resolução dos desafios que a República Bolivariana enfrenta. Por nossa parte, expressamos nossa disposição de continuar a prestar o apoio necessário ao nosso país amigo, a Venezuela", declarou Lavrov.

