Porta-aviões dos EUA se aproxima do Irã entre tensões acirradas sob ameaças de ataque

O navio é acompanhado por destróieres e lançadores de mísseis, compondo uma suposta mobilização militar acelerada e evacuação de tropas não essenciais de bases na região.

O porta-aviões USS Abraham Lincoln, da Marinha dos EUA, está se dirigindo do Mar da China Meridional para o Oriente Médio, enquanto Washington e seus aliados se preparam para diversos cenários em caso de um ataque militar ao Irã, informou o The Jerusalem Post no domingo (18), citando fontes regionais e americanas.

A reportagem detalha que o navio está acompanhado por dois destróieres — o USS Spruance e o USS Michael Murphy — e lançadores de mísseis capazes de atingir alvos em todo o Irã. Eles já chegaram ao Estreito de Malaca, localizado entre a Malásia e a Indonésia, e devem entrar na jurisdição do Comando Central dos EUA (CENTCOM) dentro de cinco a sete dias.

Bombardeiros americanos também teriam pousado nos últimos dias na base conjunta EUA-Reino Unido em Diego Garcia, território britânico no Oceano Índico, cujas longas pistas permitem que aeronaves estratégicas como o B-2 operem e ataquem alvos fortificados e subterrâneos. Doze caças F-15 adicionais também teriam chegado à Jordânia nas últimas 24 horas.

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Além disso, dados de tráfego aéreo militar indicam um aumento acentuado em voos de transporte pesado para a região do Golfo Pérsico nos últimos dias, supostamente transportando equipamentos logísticos, suprimentos de resgate e munição.

Enquanto isso, alguns militares britânicos e americanos não essenciais teriam sido evacuados preventivamente da Base Aérea de Al Udeid, no Catar, enquanto as forças americanas reforçam os sistemas de defesa antimíssil Patriot e THAAD (Terminal High Altitude Area Defense) em vários países do Golfo, antecipando uma possível contraofensiva iraniana.

Segundo autoridades militares, Washington também teria fortalecido a coordenação com seus parceiros regionais, incluindo Israel, por meio de centros de comando conjuntos e intensificado os contatos com o CENTCOM e o Pentágono.

Além disso, surgiram relatos nas redes sociais sobre interrupções no sinal de GPS sobre o espaço aéreo iraniano e sinais de guerra eletrônica, que, de acordo com avaliações citadas pelo jornal, podem fazer parte de testes para desativar os radares e sensores de Teerã.

Protestos no Irã

Os protestos eclodiram no final de 2025, informam os meios de comunicação locais, depois que comerciantes da capital, Teerã, fecharam seus negócios em manifestação contra a desvalorização do rial iraniano, que caiu para mínimos históricos em relação ao dólar americano.

As autoridades admitiram as pressões econômicas que a população enfrenta e sinalizaram que as manifestações pacíficas são legítimas. "Devemos melhorar nosso desempenho e prestar atenção aos resultados de nossas ações", afirmou o presidente Masoud Pezeshkian.

Entretanto, o governo alertou sobre a presença de indivíduos ligados a serviços de inteligência estrangeiros que, segundo afirma, procuram provocar distúrbios e desvirtuar os protestos.

Confrontos entre as forças de segurança e manifestantes foram noticiados em 3 de janeiro no município de Malekshahi, na província ocidental de Ilam, quando um pequeno grupo atacou um hospital e causou destruição nas vias públicas. Ao menos três manifestantes e um policial morreram, além de vários feridos, de acordo com informações da agência iraniana de notícias Mehr.