O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, avalia a possibilidade de enviar tropas à Groenlândia para participar de exercícios militares com aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A informação foi divulgada pela emissora canadense CBC neste domingo (18), em meio a ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas a países europeus que apoiam a ilha e a Dinamarca.
Segundo dois altos funcionários canadenses citados pela CBC, um conjunto de planos de contingência foi elaborado e apresentado ao governo. Atualmente, um contingente da Força Aérea do Canadá já participa de um exercício previamente planejado na Groenlândia.
De acordo com as fontes, Carney considera o envio de forças adicionais como parte de novas manobras que a Dinamarca pretende realizar. Os exercícios podem incluir simulações voltadas à proteção de infraestruturas críticas da ilha.
- Trump tem insistido em conseguir, "de um jeito ou de outra", que a Groenlândia passe a fazer parte dos Estados Unidos, alegando que barcos de várias nações navegam perto da costa norte americana e que, por isso, Washington precisa "ficar atento". "Sim, precisamos da Groenlândia, absolutamente. Precisamos dela para nossa defesa", reforçou Trump. Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, rebateu dizendo que a narrativa sobre a presença de navios chineses na Groenlândia não é verdadeira.
- Nem as autoridades da Groenlândia nem as da Dinamarca aceitaram as intenções de Trump e insistem que sua soberania seja respeitada.
- A administração Trump deixou claro que não descarta a via militar para se apropriar do território. Outra possibilidade em estudo seria oferecer à Groenlândia um acordo no estilo do Pacto de Livre Associação (COFA, na sigla em inglês), que daria às forças americanas direitos de acesso exclusivo às águas territoriais e ao espaço aéreo da ilha, em troca de assistência econômica e financeira.
Em resposta às recentes alegações de Washington de anexação da ilha, os líderes da França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca declararam em um comunicado conjunto na semana passada que "a Groenlândia pertence ao seu povo" e que "cabe à Dinamarca e à Groenlândia, e somente a elas, decidir sobre assuntos que lhes dizem respeito".
- Em 15 de janeiro, França, Alemanha, Suécia e Noruega se juntaram em uma missão militar europeia na Groenlândia. Os países enviarão militares para uma operação conjunta após repetidas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tomar o controle da ilha. O território faz parte da Dinamarca e é protegido pela OTAN.
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