Chanceler da Dinamarca critica tarifas anunciadas por Trump e diz que EUA vão além de seu presidente

Lars Lokke Rasmussen classificou como “alarmante” o anúncio de tarifas ligado à questão da Groenlândia e afirmou que a medida não é viável.

O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, afirmou neste domingo (18) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é uma figura "pouco convencional", mas ressaltou que o país "é muito mais do que seu presidente". A declaração foi feita durante entrevista coletiva ao lado do chanceler da Noruega, Espen Barth Eide, ao comentar o anúncio de tarifas comerciais envolvendo países europeus.

Rasmussen destacou que a situação em torno da Groenlândia "não melhorou" desde que Trump anunciou a imposição de tarifas a países que enviaram soldados à ilha, em meio a declarações sobre uma possível anexação do território.

O chanceler dinamarquês classificou como "alarmante" o fato de o anúncio das tarifas ter ocorrido justamente quando países europeus passaram a tratar da segurança no Ártico. Segundo ele, "a ideia de que se pode selecionar determinados países e impor-lhes tarifas não é viável no mundo onde vivemos".

Apesar das críticas, Rasmussen afirmou esperar que seja encontrada uma solução para as preocupações de segurança levantadas pelos Estados Unidos, o que, segundo ele, exige que a Groenlândia continue fazendo parte da Dinamarca.

"Devemos defender nossos princípios e fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que sejam respeitados", declarou.

O ministro acrescentou que, apesar do perfil do presidente norte-americano, existem "pesos e contrapesos" nos Estados Unidos, o que, em sua avaliação, permite confiança em um desfecho negociado se houver unidade e clareza sobre o que está em jogo.

As declarações ocorrem após Trump anunciar que países europeus que "viajaram" à Groenlândia, entre eles Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia, estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todos os fornecimentos aos Estados Unidos a partir de 1º de fevereiro, com aumento para 25% a partir de 1º de junho de 2026.

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