
Estônia reafirma plano de participar de exercícios da OTAN na Groenlândia apesar de ameaças de Trump

A Estônia mantém o plano de participar dos exercícios militares da OTAN na Groenlândia apesar do anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas a países europeus que enviem tropas à região. A informação foi confirmada neste domingo (18) pelo ministro da Defesa estoniano, Hanno Pevkur.

Segundo Pevkur, a posição do país "não mudou" e a participação segue em preparação.
"A posição da Estônia não mudou: dissemos que estamos prontos para participar do exercício", afirmou o ministro, citado pela emissora pública ERR.
De acordo com o titular da Defesa, os exercícios conjuntos entre aliados da OTAN fazem parte da rotina militar.
"Não vejo muito sentido em discutir questões econômicas relacionadas à participação em exercícios militares", disse. Ele acrescentou que a Estônia busca oportunidades de treinamento com aliados na região norte.
Pevkur informou que a primeira reunião de planejamento ocorreu na sexta-feira (16) e que os encontros devem continuar. Segundo ele, a Letônia também manifestou interesse em participar do processo. O ministro indicou a possibilidade de envio antecipado de um oficial de comunicações à Groenlândia durante a fase de planejamento.
Ainda segundo Pevkur, o número de militares estonianos na missão segue indefinido. Estimativas anteriores indicam um contingente entre cinco e dez efetivos.
"A Estônia está pronta. Dei o mandato ao comandante das Forças de Defesa e, quando os aspectos técnicos estiverem acordados, nossas tropas poderão participar", declarou.
- Trump tem insistido em conseguir, "de um jeito ou de outra", que a Groenlândia passe a fazer parte dos Estados Unidos, alegando que barcos de várias nações navegam perto da costa norte americana e que, por isso, Washington precisa "ficar atento". "Sim, precisamos da Groenlândia, absolutamente. Precisamos dela para nossa defesa", reforçou Trump. Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, rebateu dizendo que a narrativa sobre a presença de navios chineses na Groenlândia não é verdadeira.
- Nem as autoridades da Groenlândia nem as da Dinamarca aceitaram as intenções de Trump e insistem que sua soberania seja respeitada.
- A administração Trump deixou claro que não descarta a via militar para se apropriar do território. Outra possibilidade em estudo seria oferecer à Groenlândia um acordo no estilo do Pacto de Livre Associação (COFA, na sigla em inglês), que daria às forças americanas direitos de acesso exclusivo às águas territoriais e ao espaço aéreo da ilha, em troca de assistência econômica e financeira.
Em resposta às recentes alegações de Washington de anexação da ilha, os líderes da França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca declararam em um comunicado conjunto na semana passada que "a Groenlândia pertence ao seu povo" e que "cabe à Dinamarca e à Groenlândia, e somente a elas, decidir sobre assuntos que lhes dizem respeito".
- Em 15 de janeiro, França, Alemanha, Suécia e Noruega se juntaram em uma missão militar europeia na Groenlândia. Os países enviarão militares para uma operação conjunta após repetidas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tomar o controle da ilha. O território faz parte da Dinamarca e é protegido pela OTAN.
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