O enviado especial da Presidência da Rússia e diretor-geral do Fundo Russo de Investimento Direto, Kirill Dmitriev, afirmou neste domingo (18) que a Europa "cederá" e que os Estados Unidos "ficarão com a Groenlândia", avaliando que a unidade transatlântica pode se recuperar em certa medida.
"A Europa cederá, os Estados Unidos tomarão a Groenlândia e a unidade transatlântica poderá ser restaurada até certo ponto", escreveu ele na rede social X.
Na sexta-feira (16), Dmitriev zombou da possível resposta da Europa às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação à ilha.
"A Europa está considerando opções para retaliar contra os EUA. Sério?", escreveu o enviado, sugerindo que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e a Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, poderiam liderar uma possível resposta. "Com a ousada e implacável Ursula e Kaja no comando, os Estados Unidos deveriam começar a tremer", afirmou ele.
- Trump tem insistido em conseguir, "de um jeito ou de outra", que a Groenlândia passe a fazer parte dos Estados Unidos, alegando que barcos de várias nações navegam perto da costa norte americana e que, por isso, Washington precisa "ficar atento". "Sim, precisamos da Groenlândia, absolutamente. Precisamos dela para nossa defesa", reforçou Trump. Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, rebateu dizendo que a narrativa sobre a presença de navios chineses na Groenlândia não é verdadeira.
- Nem as autoridades da Groenlândia nem as da Dinamarca aceitaram as intenções de Trump e insistem que sua soberania seja respeitada.
- A administração Trump deixou claro que não descarta a via militar para se apropriar do território. Outra possibilidade em estudo seria oferecer à Groenlândia um acordo no estilo do Pacto de Livre Associação (COFA, na sigla em inglês), que daria às forças americanas direitos de acesso exclusivo às águas territoriais e ao espaço aéreo da ilha, em troca de assistência econômica e financeira.
Em resposta às recentes alegações de Washington de anexação da ilha, os líderes da França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca declararam em um comunicado conjunto na semana passada que "a Groenlândia pertence ao seu povo" e que "cabe à Dinamarca e à Groenlândia, e somente a elas, decidir sobre assuntos que lhes dizem respeito".
- Em 15 de janeiro, França, Alemanha, Suécia e Noruega se juntaram em uma missão militar europeia na Groenlândia. Os países enviarão militares para uma operação conjunta após repetidas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tomar o controle da ilha. O território faz parte da Dinamarca e é protegido pela OTAN.
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