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Mark Rutte diz que conversa com Trump após tarifas dos EUA ligado à Groenlândia

Secretário-geral da aliança, Mark Rutte afirmou que tratou da segurança no Ártico e que espera encontro com o presidente americano em Davos.
Mark Rutte diz que conversa com Trump após tarifas dos EUA ligado à GroenlândiaGettyimages.ru / Andrew Harnik / Staff

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, afirmou que conversou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após o anúncio de novas tarifas americanas contra países europeus relacionadas à disputa em torno da Groenlândia.

Segundo Rutte, o contato tratou da "situação de segurança na Groenlândia e no Ártico". Em publicação na rede social X, ele afirmou que as conversas devem continuar e disse esperar um encontro com Trump durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, no fim deste mês.

Mais cedo, oito países da OTAN divulgaram uma declaração conjunta para tentar reduzir tensões na região. No texto, os governos afirmam que o exercício militar Arctic Endurance, realizado na Groenlândia com a participação de pouco mais de 30 militares, "não representa ameaça para ninguém".

A nota foi divulgada em meio à reação europeia à decisão de Washington de impor novas tarifas a países envolvidos na operação, medida que aumentou o atrito entre os Estados Unidos e aliados europeus e reacendeu o debate sobre a presença militar e a segurança no Ártico.

Tarifas e reação internacional

  • Trump anunciou no sábado (17) a imposição de uma tarifa de 10% sobre todos os produtos enviados aos EUA a partir de Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia, com início em 1º de fevereiro. Segundo ele, a tarifa subirá para 25% em 1º de junho de 2026. "Essa tarifa será aplicada e cobrada até que se alcance um acordo para a compra completa e total da Groenlândia", afirmou Trump.

  • O anúncio veio após países europeus enviarem forças militares à Groenlândia nesta semana, em meio às tensões provocadas pelas ambições do presidente norte-americano sobre o território dinamarquês.
  • Nem as autoridades da Groenlândia nem as da Dinamarca aceitaram as intenções de Trump e insistem no respeito à soberania do território. Representantes dinamarqueses se reuniram com altos funcionários dos EUA na quarta-feira (14), sem sucesso em tranquilizar a situação. "Seguimos tendo um desacordo fundamental", declarou o chanceler da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, após o encontro na Casa Branca.
  • Enquanto isso, Moscou acompanha de perto a situação. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou na sexta-feira (16) que a Rússia parte do princípio de que "a Groenlândia é território do Reino da Dinamarca" e lembrou que Trump "já disse que o direito internacional não é prioridade para ele", inaugurando uma situação "extraordinária".
  • Já a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, declarou na quinta-feira (15) que países europeus estão se tornando vítimas de um precedente que eles próprios criaram, em referência à intervenção da OTAN na Guerra do Kosovo. Zakharova avalia que, ao "arrancarem e separarem ilegalmente" Kosovo da Sérvia, esses países "não imaginavam que acabariam caindo em um abismo" de um precedente que se voltaria contra eles mesmos. "Sirvam-se do que prepararam. Não se aceitam devoluções", declarou.