
'Um erro': Meloni rechaça as tarifas de Trump pela Groenlândia

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, classificou no domingo como "um erro" a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas a países que se opõem ao seu plano de tomar a Groenlândia.
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"A previsão de um aumento de tarifas contra nações que decidiram contribuir para a segurança da Groenlândia é, na minha opinião, um erro, e obviamente não concordo", declarou a primeira-ministra à imprensa em Seul. A chefe do governo italiano afirmou ter conversado com Trump algumas horas antes, expondo sua opinião.

"Conversei com Donald Trump há algumas horas, a quem manifestei minhas ideias, e ouvi o secretário-geral da OTAN [Mark Rutte], que confirmou que a OTAN está começando a trabalhar nesse ponto", disse Meloni.
Tarifas e reação internacional
- Trump anunciou no sábado (17) a imposição de uma tarifa de 10% sobre todos os produtos enviados aos EUA a partir de Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia, com início em 1º de fevereiro. Segundo ele, a tarifa subirá para 25% em 1º de junho de 2026. "Essa tarifa será aplicada e cobrada até que se alcance um acordo para a compra completa e total da Groenlândia", afirmou Trump.
- O anúncio veio após países europeus enviarem forças militares à Groenlândia nesta semana, em meio às tensões provocadas pelas ambições do presidente norte-americano sobre o território dinamarquês.
- Nem as autoridades da Groenlândia nem as da Dinamarca aceitaram as intenções de Trump e insistem no respeito à soberania do território. Representantes dinamarqueses se reuniram com altos funcionários dos EUA na quarta-feira (14), sem sucesso em tranquilizar a situação. "Seguimos tendo um desacordo fundamental", declarou o chanceler da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, após o encontro na Casa Branca.
- Enquanto isso, Moscou acompanha de perto a situação. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou na sexta-feira (16) que a Rússia parte do princípio de que "a Groenlândia é território do Reino da Dinamarca" e lembrou que Trump "já disse que o direito internacional não é prioridade para ele", inaugurando uma situação "extraordinária".
- Já a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, declarou na quinta-feira (15) que países europeus estão se tornando vítimas de um precedente que eles próprios criaram, em referência à intervenção da OTAN na Guerra do Kosovo. Zakharova avalia que, ao "arrancarem e separarem ilegalmente" Kosovo da Sérvia, esses países "não imaginavam que acabariam caindo em um abismo" de um precedente que se voltaria contra eles mesmos. "Sirvam-se do que prepararam. Não se aceitam devoluções", declarou.
