Lula critica ataque dos EUA à Venezuela e defende soberania regional em artigo no New York Times

O presidente brasileiro acusa Washington de cruzar linha inaceitável ao atacar a Venezuela e reforça defesa da soberania dos países latino‑americanos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em artigo publicado no New York Times neste domingo (18), denunciou o ataque dos EUA à Venezuela e a captura do presidente da Venezuela em 3 de janeiro, classificando-os como um ataque ao direito internacional e um perigoso precedente para o Hemisfério Ocidental.

Segundo Lula, esse episódio é um reflexo dos reiterados ataques de grandes potências contra a autoridade das Nações Unidas e do Conselho de Segurança, tornando o uso da força a regra para a resolução de conflitos, e não a exceção. Não apenas países são individualmente fragilizados sob esse cenário, avalia, mas todo o sistema internacional.

O presidente brasileiro criticou veementemente a ideia de que um Estado possa impor justiça por conta própria, ressaltando que "ações unilaterais ameaçam a estabilidade mundial, atrapalham o comércio e o investimento, agravam fluxos migratórios e reduzem a capacidade de Estados de enfrentar desafios transnacionais como o crime organizado".

Clamando por especial atenção à América Latina e ao Caribe, Lula destacou que essas práticas trazem violência e instabilidade a uma parte do mundo que historicamente rejeita o uso da força e defende a autodeterminação dos povos.

"Não seremos reféns de projetos hegemônicos", alertou o presidente. "Construir uma região próspera, pacífica e pluralista é a única doutrina que nos convém."

Decisivamente, Lula reputou que "somente um processo político inclusivo, liderado pelos próprios venezuelanos, poderá conduzir o país a um futuro democrático e sustentável", destacando a importância de um retorno seguro daqueles que deixaram a Venezuela, muitos em direção ao Brasil.

Por fim, o presidente reforçou que Brasil e Estados Unidos, como as duas maiores democracias do continente, devem cooperar em planos concretos de investimento, comércio e combate ao crime organizado. "Somente juntos podemos superar os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós", concluiu.

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