Oito países da OTAN divulgam declaração diante das ameaças de Trump à Groenlândia

"Estamos prontos para dialogar fundamentados nos princípios da soberania e da integridade territorial, que defendemos firmemente", dizem os países na declaração.

Atravessando as tensões causadas pela ameaça do governo americano de Donald Trump em busca da anexação da Groenlândia ao território dos EUA, oito países europeus membros da OTAN emitiram neste domingo (18) uma declaração conjunta sobre a situação.

Os signatários incluem Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Holanda, Noruega, Suécia e Reino Unido. Eles afirmam que, como membros da aliança militar, estão comprometidos com o "fortalecimento da segurança no Ártico como um interesse transatlântico compartilhado".

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Acrescentam ainda que o exercício "Arctic Endurance", realizado na Groenlândia com a participação de pouco mais de 30 militares desses países, "responde a essa necessidade" e "não representa nenhuma ameaça para ninguém".

"Manifestamos nossa total solidariedade ao Reino da Dinamarca e ao povo da Groenlândia. Com base no processo iniciado na semana passada, estamos prontos para dialogar fundamentados nos princípios da soberania e da integridade territorial, que defendemos firmemente", diz o comunicado.

Entre soldados e tarifas

Congressistas dos EUA apresentaram na terça-feira (13) um projeto de lei para bloquear a aprovação de fundos para qualquer ação militar contra um aliado da OTAN, incluindo a Dinamarca. Apesar da oposição, o governo Trump não descartou o uso da força, embora priorize a compra da ilha.

A imposição de tarifas foi decretada por Trump no sábado (17) como uma retaliação aos exercícios militares na Groenlândia. Ele anunciou que diversos países europeus que "viajaram" para a ilha "para fins desconhecidos" terão que pagar uma tarifa de 10% sobre todos os suprimentos destinados aos Estados Unidos a partir de 1º de fevereiro. Ele também alertou que as tarifas aumentarão para 25% até 1º de junho de 2026.

A medida é vista como uma tentativa de pressionar os países europeus a cederem, diante dos impedimentos internos e da implicações externas do uso da força militar. Um grupo bipartidário de observadores da OTAN do Senado americano condenou a medida no sábado (17).

"Durante um momento em que muitos americanos já estão preocupados com o custo de vida, essas tarifas aumentariam os preços tanto para famílias quanto para empresas", aponta a declaração. "Urgimos o governo a deixar de lado as ameaças e a investir na diplomacia".

Os oito países da OTAN também reagiram às tarifas em sua declaração, avaliando que sua imposição "mina as relações transatlânticas e acarreta o risco de uma perigosa espiral descendente".

A afirmação reflete a posição do Comissário Europeu da Defesa e Espaço, Andrius Kubilius, que avaliou ao jornal britânico Reuters na segunda-feira (12) as implicações negativas de uma invasão americana na ilha, que acionaria o Artigo 5º do Tratado da OTAN, demandando que seus demais membros agissem com força militar em defesa da integridade da Dinamarca.

"Será o fim da OTAN", disse Kubilius.

Uma aposta cada vez mais séria