O presidente dos EUA, Donald Trump, se tornará um dos maiores presidentes da história do país se conseguir tomar o controle da Groenlândia, afirmou Konstantin Blokhin, especialista em ciência política americana e pesquisador sênior do Centro de Estudos de Segurança da Academia Russa de Ciências.
"Se Trump concretizar esse cenário, ele realmente entrará para a história dos EUA e será considerado um dos maiores presidentes americanos. Porque ninguém jamais expandiu o território dos EUA tão rapidamente".
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Segundo Blokhin, Trump talvez esteja "jogando pelo preço mais alto" ao falar sobre a importância de um território autônomo sob soberania dinamarquesa para o seu país.
"Ele está elevando a pressão para que a Dinamarca aceite os termos exigidos por Washington. Dessa forma, ele está preparando o terreno: ou você aceita os termos ou enfrenta uma invasão", indicou o analista. Segundo ele, a incorporação ao território americano iniciará o curso de "transformar a Groenlândia em uma espécie de posto avançado na futura disputa pelo Ártico".
Tarifas e reação internacional
- Trump anunciou no sábado (17) a imposição de uma tarifa de 10% sobre todos os produtos enviados aos EUA a partir de Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia, com início em 1º de fevereiro. Segundo ele, a tarifa subirá para 25% em 1º de junho de 2026. "Essa tarifa será aplicada e cobrada até que se alcance um acordo para a compra completa e total da Groenlândia", afirmou Trump.
- O anúncio veio após países europeus enviarem forças militares à Groenlândia nesta semana, em meio às tensões provocadas pelas ambições do presidente norte-americano sobre o território dinamarquês.
- Nem as autoridades da Groenlândia nem as da Dinamarca aceitaram as intenções de Trump e insistem no respeito à soberania do território. Representantes dinamarqueses se reuniram com altos funcionários dos EUA na quarta-feira (14), sem sucesso em tranquilizar a situação. "Seguimos tendo um desacordo fundamental", declarou o chanceler da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, após o encontro na Casa Branca.
- Enquanto isso, Moscou acompanha de perto a situação. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou na sexta-feira (16) que a Rússia parte do princípio de que "a Groenlândia é território do Reino da Dinamarca" e lembrou que Trump "já disse que o direito internacional não é prioridade para ele", inaugurando uma situação "extraordinária".
- Já a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, declarou na quinta-feira (15) que países europeus estão se tornando vítimas de um precedente que eles próprios criaram, em referência à intervenção da OTAN na Guerra do Kosovo. Zakharova avalia que, ao "arrancarem e separarem ilegalmente" Kosovo da Sérvia, esses países "não imaginavam que acabariam caindo em um abismo" de um precedente que se voltaria contra eles mesmos. "Sirvam-se do que prepararam. Não se aceitam devoluções", declarou.