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Estudo investiga fator de risco cardíaco presente em 1 em cada 10 pessoas acima dos 70 anos

Os pesquisadores alertam que esse fator pode não apenas provocar novas doenças cardiovasculares, mas também agravar problemas já existentes.
Estudo investiga fator de risco cardíaco presente em 1 em cada 10 pessoas acima dos 70 anosGettyimages.ru

Mutações em células sanguíneas podem se tornar um novo fator de risco para doenças cardiovasculares, publicou o jornal Bild na sexta-feira (16), divulgando um estudo do Hospital Universitário de Freiburg e do Hospital Charité de Berlim, na Alemanha.

Essas alterações, chamadas de "hematopoiese clonal de potencial indeterminado" (CHIP, pela sigla em inglês), ocorrem quando células-tronco hematopoiéticas — capazes de se autorrenovar e se transformar em células do tecido sanguíneo e do sistema imune — são modificadas e geram clones que secretam grandes quantidades de substâncias inflamatórias. Esse processo, aponta o estudo, contribui para aterosclerose, coágulos sanguíneos e doenças cardiovasculares graves.

Especialistas explicam que o problema é que esses clones podem não apenas causar novas doenças cardiovasculares, mas também agravar problemas preexistentes, especialmente em pacientes com fibrilação atrial, um tipo comum de arritmia cardíaca.

"Dois milhões de pessoas na Alemanha sofrem de fibrilação atrial e, portanto, apresentam maior risco de acidente vascular cerebral ou insuficiência cardíaca", afirmou Heribert Schunkert, vice-presidente do conselho da Fundação Alemã do Coração, que financia o estudo. Ele acrescentou que as mutações do tipo CHIP são consideradas um fator de risco adicional para esses pacientes e muitos outros com doenças cardíacas crônicas, atuando como um "acelerador da doença".

Os dados sugerem que a ameaça é particularmente significativa em grupos específicos de pacientes. Segundo Ingo Hilgendorf, um dos pesquisadores envolvidos no estudo, uma em cada dez pessoas com mais de 70 anos apresenta essas mutações.

O objetivo dos cientistas é, portanto, determinar o papel exato que as mutações CHIP desempenham no desenvolvimento da doença e em que medida elas podem agravá-la, na esperança de identificar os pacientes em risco com maior precisão e, a longo prazo, desenvolver estratégias preventivas ou terapêuticas específicas.