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Departamento de Justiça de Trump investiga prefeito e governador democratas durante protestos contra ICE

O prefeito Jacob Frey e o governador Tim Waltz se posicionaram publicamente contra a operação federal de repressão a imigrantes.
Departamento de Justiça de Trump investiga prefeito e governador democratas durante protestos contra ICE

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) abriu uma investigação contra o governador de Minnesota, Tim Walz, e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, sob a acusação de obstrução da aplicação da lei federal, informou o jornal americano Axios no sábado (17).

A ação se desenrola em meio a críticas do Presidente Donald Trump e de sua administração à resposta de Minnesota à presença de agentes da Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) no estado. 

As ações do ICE são parte da operação Metro Station, um programa de repressão à imigração que mobilizou cerca de 2 mil agentes federais e provocou protestos e confrontos de populares com agentes federais, diante de supostas ações abusivas e mortes por ação policial.

Walz e Frey têm se posicionado abertamente contra o aumento da atividade federal. O prefeito Frey demandou publicamente que os agentes federais "saiam de Minneapolis". O governador Walz acusou o governo federal de "utilizar o sistema de justiça como arma e ameaçar opositores políticos", classificando a ação como uma tática "autoritária e perigosa".

O Departamento de Justiça se recusou a comentar sobre a investigação, mas o Procurador-Geral, Pam Bondi, e o Vice-Procurador-Geral, Todd Blanche, sinalizaram apoio aos agentes federais e prometeram processar qualquer pessoa que obstrua suas ações. Blanche chegou a acusar Walz e Frey de incentivar a violência contra as forças da lei, declarando que irá pará-los.

Judicialização da política

A investigação provocou indignação entre governadores e congressitas do Partido Democrata, que a descreveram como uma tentativa desesperada de distrair da brutalidade da ICE e da ilegalidade das decisões do Presidente Trump.

O estado de Minnesota e as cidades gêmeas de Minneapolis e Saint-Paul entraram na segunda-feira (12) com uma ação judicial contra a administração Trump, argumentando que a operação de imigração equivale a uma "invasão federal" e viola os direitos constitucionais dos estados.

O caso é agravado por incidentes recentes envolvendo agentes da ICE, como o assassinato de Renée Good, uma cidadã americana, e o ferimento de um imigrante venezuelano durante uma operação de fiscalização. Esses eventos intensificaram a desconfiança da população em relação às autoridades federais e inflamaram os protestos.

A situação em Minnesota continua a se deteriorar, com a expectativa de que mais mil agentes do ICE sejam mobilizados, que se somariam aos 2 mil agentes já ativos na região. A escalada é intensificada com a preparação de mais de 1.500 soldados em antecipação a uma invervenção federal, após ameaças de Trump no sentido de invocar a Lei de Insurreição para reprimir as manifestações.