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Especialistas se dividem sobre acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia

Entrevistados pela RT apontaram redução de preços e ganhos para consumidores, enquanto agricultores europeus alertaram para concorrência desleal e impacto nas explorações rurais.
Especialistas se dividem sobre acordo de livre comércio entre Mercosul e União EuropeiaGettyimages.ru / Christian Alvarenga

A União Europeia (UE) e o Mercosul assinaram, neste sábado (17), no Paraguai, o acordo de livre comércio após mais de 25 anos de negociações. A assinatura ocorre em meio a críticas de agricultores e pecuaristas europeus, que protestam contra o que classificam como concorrência desleal, especialmente na França e na Espanha.

Em entrevista à RT, representantes do setor agrícola e da área econômica analisaram os principais efeitos do novo marco comercial entre os dois blocos, destacando ganhos gerais para consumidores e preocupações específicas para produtores europeus.

Impactos econômicos

O economista Alexandre Chaia, professor do Insper, afirmou que o acordo cria oportunidades para as populações dos dois blocos ao reduzir preços médios de produtos.

Segundo ele, isso contribui para uma "melhor qualidade de vida" e incentiva investimentos em linhas de produção mais eficientes.

"A sociedade como um todo, independentemente de que setores, toda a sociedade se beneficiará com o acordo, porque reduzirá os preços médios de produtos", declarou à RT.

Reação do setor

Já Gonzalo Martínez, agricultor, pecuarista e porta-voz da União Nacional de Associações do Setor Primário Independentes da Espanha (UNASPI), classificou o acordo como "um golpe" e "a ruína" das fazendas europeias.

Martínez apontou diferenças nas exigências sanitárias, ambientais e no controle de doenças animais entre a UE e os países sul-americanos.

"Temos retirado os pesticidas do mercado; 80% dos pesticidas usados ​​no resto do mundo são proibidos aqui. Portanto, estamos diante de um mercado potencial vindo da América do Sul com quantidades enormes, com padrões de saúde que nos disseram que temos que cumprir aqui, mas que não são atendidos por lá", afirmou.

Martínez também destacou dificuldades de competitividade devido a custos de produção mais elevados na Europa, associados a impostos e salários mais altos.

"A concorrência é bastante desleal", disse.

Chaia reconheceu a existência de regras fitossanitárias mais rigorosas na Europa, voltadas à ecologia, e afirmou que a solução passa por "ter as mesmas regras para os produtores nacionais", ressaltando investimentos feitos na América do Sul em pesquisa e melhoria das técnicas do agronegócio.

25 anos de negociação: entenda o que muda com o acordo Mercosul-UE em nosso artigo.