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Trump explica por que não apoia a oposição extremista na Venezuela

O presidente deu mais detalhes sobre o encontro em Washington com a vencedora do Nobel da Paz de 2025, que lhe entregou a medalha.
Trump explica por que não apoia a oposição extremista na VenezuelaChip Somodevilla / Gettyimages.ru

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (16) que, após os bombardeios na Venezuela e o sequestro do presidente do país, Nicolás Maduro, decidiu não apoiar a ala extremista da oposição venezuelana por temer que o país mergulhasse em um cenário de caos semelhante ao que se seguiu à invasão norte-americana do Iraque, em 2003.

"Vocês lembram de um lugar chamado Iraque, onde demitiram todo mundo, cada pessoa, a polícia, os generais, todos, e no fim surgiu o Estado Islâmico (EI)*? Em vez de simplesmente organizar as coisas, acabou virando o EI. Eu me lembro bem disso", disse Trump, ao responder a uma pergunta da imprensa.

Trump também mencionou a reunião privada e discreta que teve na véspera, no refeitório da Casa Branca, com a opositora extremista María Corina Machado, da qual não houve declarações públicas. No encontro, ela lhe entregou a medalha recebida em dezembro, quando foi laureada com o Nobel da Paz.

"Vou dizer a vocês que ontem tive uma grande reunião com uma pessoa que eu respeito muito. E ela, obviamente, me respeita e respeita o nosso país. Ela me deu o Prêmio Nobel dela. Mas digo uma coisa: eu a conheci ali. Nunca a tinha visto antes. E fiquei muito impressionado. Ela é uma mulher realmente… uma grande mulher", afirmou.

Opinião mantida

Apesar dos elogios de Trump à política venezuelana, o governo dos EUA segue avaliando que ela não é a pessoa adequada para governar o país.

Sobre isso, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, foi questionada na quinta-feira a respeito de uma declaração feita por Trump logo após a ação militar contra a Venezuela, quando ele afirmou que Machado não tinha apoio político suficiente nem "respeito" dentro do próprio país, o que a impediria de assumir o governo.

"Acho que a avaliação do presidente, que você acabou de mencionar, foi baseada na realidade do país. Foi uma análise realista, construída a partir do que o presidente lia e ouvia de seus assessores e da equipe de segurança nacional. Até o momento, a opinião dele não mudou. Ele também já disse que não pode fazer nada a respeito", respondeu Leavitt.

Agressão contra a Venezuela e sequestro de Maduro

  • No sábado (3), os EUA lançaram um ataque militar massivo em território venezuelano. A operação terminou com o sequestro de Maduro e Flores, que foram levados para Nova York.
  • Caracas classificou as ações de Washington como uma "gravísima agressão militar" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação".
  • Maduro se declarou inocente na segunda-feira (5) em sua primeira audiência perante a Justiça dos EUA no Tribunal do Distrito Sul de Nova York, acusado de narcoterrorismo. Flores procedeu da mesma forma.
  • A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodrígueztomou posse na segunda-feira (5) como presidente encarregada do país sul-americano.
  • Muitos países do mundo, entre eles a Rússia e a China, pediram a libertação de Maduro e sua esposa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia destacou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu destino sem qualquer intervenção externa. "Reafirmamos a solidariedade inabalável da Rússia com o povo e o governo venezuelanos. Desejamos à presidente encarregada Delcy Rodríguez sucesso na resolução dos desafios que a República Bolivariana enfrenta. Por nossa parte, expressamos nossa disposição de continuar a prestar o apoio necessário ao nosso país amigo, a Venezuela", acrescentou.

*Reconhecido como grupo terrorista na Rússia e proibido em seu território.