Ex-secretário-geral da OTAN defende diálogo do Ocidente com a Rússia

Segundo ele, o contato com Moscou deve ocorrer da mesma forma que os países europeus dialogam entre si e com os Estados Unidos.

O ex-secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, afirmou que é "fundamental" que o Ocidente volte a dialogar com a Rússia sobre o conflito na Ucrânia. A declaração foi dada em entrevista à revista alemã Der Spiegel, publicada nesta sexta-feira.

Questionado sobre como enxerga, no longo prazo, a relação entre Rússia e Ocidente, Stoltenberg disse que, embora seja necessária "uma dissuasão crível", o diálogo não pode ser abandonado. Segundo ele, o contato com Moscou deve ocorrer da mesma forma que os países europeus dialogam entre si e com os Estados Unidos.

"Em primeiro lugar, precisamos falar com a Rússia sobre o fim da guerra na Ucrânia, como os Estados Unidos e outros já estão fazendo. Em segundo lugar, devemos discutir, no futuro, uma nova arquitetura de controle de armas", afirmou. Stoltenberg destacou que, mesmo durante a Guerra Fria, foi possível limitar armas nucleares, mas que esse sistema de controle hoje praticamente deixou de existir.

Ele acrescentou ainda um terceiro ponto: a necessidade de comunicação permanente com a Rússia como país vizinho. Stoltenberg lembrou que Moscou tem fronteiras terrestres com membros da OTAN, como Noruega, Finlândia, países bálticos e Polônia, além de fronteiras marítimas com Turquia, Romênia e Bulgária.

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Na quinta-feira (15), o presidente russo, Vladimir Putin, voltou a afirmar que a crise ucraniana é resultado direto do desrespeito do Ocidente aos interesses legítimos de segurança da Rússia e da expansão da OTAN em direção às fronteiras russas. Segundo Putin, essa política criou ameaças diretas ao país.

Nesse contexto, o presidente russo ressaltou que Moscou apresentou diversas vezes propostas para a construção de "uma nova arquitetura de segurança europeia e global, confiável e justa". Ele defendeu a retomada de um "debate substantivo" sobre essas iniciativas para estabelecer as bases de uma solução pacífica para o conflito na Ucrânia, "quanto antes, melhor".

Autoridades russas também têm reiterado, em diversas ocasiões, que não há intenção de atacar países europeus, apesar das acusações e tensões envolvendo a OTAN.