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Comércio entre Brasil e China atinge recorde e supera US$ 170 bilhões em 2025

Trocas com o país asiático mais que dobram o volume negociado com os Estados Unidos.
Comércio entre Brasil e China atinge recorde e supera US$ 170 bilhões em 2025Gettyimages.ru / Tang Ke/VCG

A corrente de comércio entre Brasil e China fechou 2025 em nível recorde, com movimentação de 171 bilhões de dólares (R$ 918,27 bilhões). O valor, que soma exportações e importações, representa crescimento de 8,2% em relação a 2024 e mais que o dobro do volume registrado no comércio com os Estados Unidos, segundo maior parceiro comercial do Brasil, com 83 bilhões de dólares (R$ 445,71 bilhões) no período.

Os dados constam na mais recente edição do relatório do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), divulgado na quarta-feira (14).

Exportações e importações em alta

Do total negociado com a China, as exportações brasileiras somaram 100 bilhões de dólares (R$ 537,00 bilhões), o segundo maior valor em 29 anos da série histórica iniciada em 1997, atrás apenas do recorde de 104 bilhões de dólares (R$ 558,48 bilhões) registrado em 2023.

O crescimento foi impulsionado principalmente pela soja, que respondeu por pouco mais de um terço das vendas ao país asiático e registrou alta de 10% em relação a 2024.

As importações brasileiras originárias da China também bateram recorde, alcançando 70,9 bilhões de dólares (R$ 380,73 bilhões) em 2025. O avanço foi de 11,5% na comparação anual e reflete, entre outros fatores, a compra de um navio-plataforma para exploração de petróleo, além de carros elétricos e híbridos, fertilizantes e produtos químicos.

Houve ainda aumento nas aquisições de medicamentos e insumos farmacêuticos, o que levou a China à quarta posição entre os principais fornecedores do Brasil nesse segmento.

Tensões e outros mercados

No ano passado, os Estados Unidos impuseram novas tarifas a diversos países, o que provocou mudanças nos fluxos internacionais. Segundo cálculos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 22% das exportações brasileiras para os EUA, equivalentes a 8,9 bilhões de dólares (R$ 47,79 bilhões), permanecem sujeitas às tarifas estabelecidas em julho.

A China manteve-se como principal destino das exportações brasileiras e passou a concentrar 27,2% da corrente de comércio exterior do Brasil, que totalizou 629 bilhões de dólares (R$ 3,38 trilhões) em 2025, com crescimento de 4,9%.

Embora outros mercados tenham apresentado avanço mais acelerado, como Argentina e Índia, com altas de 31,4% e 30,2%, respectivamente, o desempenho chinês superou o de parceiros tradicionais.

As exportações para os Estados Unidos recuaram 6,6%, enquanto as vendas para Espanha caíram 11,8% e para os Países Baixos cresceram 0,2%.