A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou nesta sexta-feira (16) que Caracas não teme estabelecer "relações" bilaterais com os Estados Unidos, porque, embora tenham sido marcadas por dificuldades ao longo de sua existência, são laços "históricos".
"Não temos medo de estabelecer relações com um país deste hemisfério, com os Estados Unidos. São relações históricas, mantidas inclusive pelo nosso libertador Simón Bolívar. São relações históricas que, sem dúvida, sofreram retrocessos, acredito que devido à falta de compreensão da [Casa Branca] sobre a realidade política, econômica e social da Venezuela", declarou Rodríguez em reunião com membros do Conselho Nacional de Economia Produtiva.
A presidente encarregada revelou ao público que Caracas e Washington estão "abordando questões de energia, comércio e cooperação econômica de diversas maneiras", embora tenha enfatizado que "essa agenda econômica deve estar a serviço do povo venezuelano", de acordo com as diretrizes definidas pelo presidente Nicolás Maduro.
"Ratificamos integralmente o programa de recuperação econômica, prosperidade e crescimento que o presidente Nicolás Maduro apresentou ao país em 2018, o qual nos permitiu chegar onde estamos; o qual permitiu que a economia venezuelana se tornasse uma das principais economias em crescimento na América Latina", disse ela.
O modelo, explicou ela, se baseia na produção nacional de alimentos, bens manufaturados, medicamentos e outros bens estratégicos, por meio de uma aliança entre o setor público e entidades privadas.
Dessa forma, afirmou Rodríguez, a expectativa é de que "os novos investimentos que possam chegar ao país sirvam para impulsionar os processos de produção nacionais em torno do que é fabricado na Venezuela", porque essa expressão de soberania permitiu "superar as graves condições geradas pelo bloqueio criminoso" dos Estados Unidos.
Agressão contra a Venezuela e sequestro de Maduro
- No sábado (3), os EUA lançaram um ataque militar massivo em território venezuelano. A operação terminou com o sequestro de Maduro e Flores, que foram levados para Nova York.
- Caracas classificou as ações de Washington como uma "gravísima agressão militar" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação".
- Maduro se declarou inocente na segunda-feira (5) em sua primeira audiência perante a Justiça dos EUA no Tribunal do Distrito Sul de Nova York, acusado de narcoterrorismo. Flores procedeu da mesma forma.
- A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, tomou posse na segunda-feira (5) como presidente encarregada do país sul-americano.
- Muitos países do mundo, entre eles a Rússia e a China, pediram a libertação de Maduro e sua esposa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia destacou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu destino sem qualquer intervenção externa. "Reafirmamos a solidariedade inabalável da Rússia com o povo e o governo venezuelanos. Desejamos à presidente encarregada Delcy Rodríguez sucesso na resolução dos desafios que a República Bolivariana enfrenta. Por nossa parte, expressamos nossa disposição de continuar a prestar o apoio necessário ao nosso país amigo, a Venezuela", acrescentou.