
'Titãs até a última batalha': emocionado, Díaz-Canel homenageia soldados cubanos mortos na Venezuela

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, discursou nesta sexta-feira (16) em cerimônia de homenagem aos 32 combatentes cubanos que deram a vida em defesa do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, sequestrado junto de sua esposa pelas forças armadas dos Estados Unidos no início do mês.
Visivelmente emocionado, diante da Tribuna Anti-imperialista instalada em frente à embaixada dos EUA em Havana, o presidente cubano lembrou a bravura dos militares de seu país.
"Sabíamos que eles se comportariam como titãs até em sua última batalha", declarou. "Eles não apenas defenderam a soberania da Venezuela, o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, defenderam a dignidade humana, a paz, a honra de Cuba e da Nossa América."
🇨🇺🗣Díaz-Canel sobre os soldados mortos pelos EUA: 'Eles se comportaram como titãs até a última batalha'O presidente, visivelmente emocionado, despediu-se dos 32 combatentes que protegeram com suas vidas o presidente venezuelano Nicolás Maduro.📍Leia: https://t.co/UUaF4zCKqipic.twitter.com/SN08e1CbXc
— RT Brasil (@rtnoticias_br) January 16, 2026
O presidente cubano ressaltou que, após as primeiras notícias do ataque em Caracas, "passaram-se horas muito amargas" em Cuba, que deram lugar a sentimentos de "indignação" e "impotência" pelos atos criminosos ordenados pelo governo de Donald Trump.
"Só por cima do meu cadáver poderão levar o presidente para ser assassinado", declarou o presidente, reproduzindo as palavras do primeiro coronel Humberto Alfonso Roca, chefe dos agentes cubanos que faziam parte da guarda presidencial de Maduro, que morreram em combate.

"Dar o próprio sangue e até a vida"
Díaz-Canel destacou os fortes laços que unem os povos de Cuba e Venezuela e o constante assédio que as relações entre os dois governos têm sofrido. Segundo ele, esse vínculo foi reconhecido pelos americanos "com espanto, mas também com admiração incontestável".
"A bravura desse punhado de homens que, com clara desvantagem em termos de força e poder de fogo, ofereceu resistência feroz aos sequestradores, ferindo vários de seus efetivos e inutilizando um de seus meios de transporte", indicou o presidente, em referência ao abate de um dos helicópteros americanos durante a oposição ao ataque em Caracas.
🇨🇺❗️Visivelmente emocionado, Díaz-Canel relembra as palavras do primeiro coronel, chefe do "pequeno grupo de cubanos que, naquela madrugada, protegeu o casal presidencial":"Só sobre o meu cadáver poderão levar ou assassinar o presidente."🔗https://t.co/UUaF4zCcAKpic.twitter.com/UydoJluT9l
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Nessa linha, ele insistiu que o ataque dos "terroristas" dos EUA "não foi o passeio que pediram ao mundo", assegurando que um dia se saberá "toda a verdade". "Nem mesmo Trump pôde negar que vários agressores ficaram feridos", acrescentou.
"Dar o próprio sangue e até a vida por um povo irmão pode parecer estranho para alguns, mas não para os cubanos", reiterou.
Agressão contra a Venezuela e sequestro de Maduro
Os EUA lançaram um ataque militar massivo em território venezuelano no dia 3 de janeiro. A operação terminou com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, que foram levados para Nova York.
- Caracas classificou as ações de Washington como uma "gravíssima agressão militar" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação".
- Maduro se declarou inocente frente às acusações de narcoterrorismo, em 5 de janeiro, em sua primeira audiência perante a Justiça dos EUA no Tribunal do Distrito Sul de Nova York. Flores procedeu da mesma forma.
- A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, tomou posse em 5 de janeiro como presidente encarregada do país sul-americano.
- Muitas lideranças da comunidade internacional, entre eles as da Rússia e da China, pediram a libertação de Maduro e sua esposa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia destacou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu destino sem qualquer intervenção externa. "Reafirmamos a solidariedade inabalável da Rússia com o povo e o governo venezuelanos. Desejamos à presidente encarregada Delcy Rodríguez sucesso na resolução dos desafios que a República Bolivariana enfrenta. Por nossa parte, expressamos nossa disposição de continuar a prestar o apoio necessário ao nosso país amigo, a Venezuela", acrescentou.

