
Por que nos sentimos exaustos mesmo após o descanso?

No mundo moderno, não são poucos os que afirmam que se sentem constantemente cansados, tanto física quanto psicologicamente, e nem mesmo descansar parece resolver o problema. Em entrevista ao portal Vice, o cientista norte-americano Dr. John La Puma explicou que a causa do problema pode estar relacionada ao que ele chama de "obesidade digital".
Segundo o cientista, o norte-americano médio passa 87% do tempo em ambientes fechados e outros 6% dentro do carro, o que constitui 93% do dia em clausura. Como a evolução do ser humano se deu ao ar livre, respirando ar fresco e em contato com a natureza, os longos períodos de em casa ou no escritório, aliados à necessidade de lidar com grandes quantidades de informação, acabam por sobrecarregar o sistema de alerta do cérebro.

A luz artificial, as telas, o contato constante com novas informações e a demanda cognitiva são fatores que contribuem para piorar o quadro de cansaço ao mesmo tempo em que a falta de exposição à luz do dia, ao ar livre e à escuridão da noite impedem que o relógio biológico esteja em sincronia com a natureza.
O pico desse fenômeno é chamado de doomscrolling — o ato compulsivo de consumir incessantemente notícias negativas e conteúdos online que provocam angústia — o que faz a pessoa estar em alerta constante e sem necessidade. Isso é manifestado em níveis elevados de cortisol à noite, atraso na produção de melatonina, o que provoca sono superficial, controle deficiente da glicose e ganho de peso.
Recomendações
O Dr. La Puma dá apenas uma recomendação: passar 7% do dia, ou seja, 100 minutos, fora de casa. Uma hora e 40 minutos ao ar livre, segundo o especialista, ajudariam a promover a melhora do sono, estabilizar o humor e melhorar a concentração, entre outros benefícios.
O especialista também destacou a importância de passar um tempo sem usar o celular durante a manhã pois "ser capaz de olhar para longe da tela dá ao cérebro uma pausa do foco em objetos próximos".
"As ferramentas são simples. O problema está na conscientização, não na força de vontade", concluiu La Puma.
