Kremlin comenta intenção da Europa de retomar diálogo com a Rússia

Dmitry Peskov afirmou que, se verdadeira, a informação indicaria "uma evolução positiva" da postura de lideranças europeias.

O diálogo com a Rússia é necessário para garantir a estabilidade na Europa, comentou nesta sexta-feira (16) o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em resposta as notícias de que vários países europeus estão dispostos a retomar contatos com Moscou.

Peskov destacou a posição de "uma série de líderes europeus, concretamente de Roma, Paris e até mesmo de Berlim", enfatizando sarcasticamente a necessidade de dialogar, "por mais estranho que pareça".

"Se isso realmente reflete a visão estratégica dos europeus, então é uma evolução positiva de postura deles", avaliou. "Porque recentemente ouvimos uma declaração que descartava completamente qualquer diálogo com os russos, falando apenas da necessidade de uma derrota esmagadora para a Rússia. Declarações tão utópicas. Mas veremos como tudo se desdobrará", concluiu o porta-voz.

"Será útil voltar a falar com Vladimir Putin"

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou em dezembro que a Europa deveria considerar retomar o diálogo com o presidente russo. "Vejo que há pessoas que conversam com Vladimir Putin", disse Macron, referindo-se ao presidente norte-americano, Donald Trump.

"Portanto, acredito que nós, europeus e ucranianos, temos interesse em encontrar o quadro adequado para retomar essa discussão de maneira formal. Caso contrário, discutimos entre nós com negociadores que vão sozinhos discutir com os russos, o que não é ideal", explicou Macron.

Por sua vez, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, declarou durante uma coletiva de imprensa na semana passada que "chegou a hora da Europa também dialogar com a Rússia".

Enquanto isso, o chanceler alemão, Friedrich Merz, expressou nesta quarta-feira (14) sua esperança de que seja possível uma reconciliação de longo prazo com a Rússia e enfatizou explicitamente que "é um país europeu".

Merz afirmou que o objetivo deve ser que "a paz e a liberdade retornem à Europa" e que a Alemanha e a União Europeia encontrem novamente o "equilíbrio" com seu "maior vizinho europeu". Segundo o chanceler, alcançar essa pacificação demonstraria que a União Europeia e a República Federal da Alemanha superaram "outro teste" importante.