O Irã permanece sob um bloqueio digital quase total desde 8 de janeiro, ultrapassando 180 horas de indisponibilidade, conforme o observatório da internet NetBlocks, divulgado nesta sexta-feira (16).
As autoridades iranianas restringiram o acesso à internet devido a ações terroristas durante os protestos antigovernamentais que abalam o país desde o final de dezembro.
A representação no Irã nas Nações Unidas denunciou na terça-feira (13) a instalação e o uso não autorizados de terminais de satélite Starlink em seu território, alegando que eles estão sendo explorados para fins terroristas.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, afirmou na quarta-feira (14) que a situação no país está estabilizada, após uma operação contra terroristas que instigaram os distúrbios.
A situação atual
Os protestos eclodiram no final de 2025, informam os meios de comunicação locais, depois que comerciantes da capital, Teerã, fecharam seus negócios em protesto contra a desvalorização do rial iraniano, que caiu para mínimos históricos em relação ao dólar americano.
As autoridades admitiram as pressões econômicas que a população suporta e sinalizaram que as manifestações pacíficas são legítimas. "Devemos melhorar nosso desempenho e prestar atenção aos resultados de nossas ações", afirmou o presidente Masoud Pezeshkian.
Entretanto, o governo alertou sobre a presença de indivíduos ligados a serviços de inteligência estrangeiros que, segundo afirma, procuram provocar distúrbios e desvirtuar os protestos.
Confrontos entre as forças de segurança e manifestantes foram noticiados em 3 de janeiro no município de Malekshahi, na província ocidental de Ilam, quando um pequeno grupo atacou um hospital e causou destruição nas vias públicas. Ao menos três manifestantes e um policial morreram, além de vários feridos, de acordo com informações da agência iraniana de notícias Mehr.
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