Aliados e críticos de Jair Bolsonaro reagiram à transferência do ex-presidente para o 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, conhecido como "Papudinha", nesta quinta-feira (15). Apoiadores de Bolsonaro alegaram "perseguição política", enquanto governistas defenderam medida para assegurar "segregação adequada".
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, defendeu que seu pai seja transferido para prisão domiciliar, alegando "risco de quedas" decorrentes de "efeitos colaterais" de remédios. "Se fosse com o ex-presidente Michel Temer, Alexandre de Moraes estaria agindo da mesma forma?", questionou.
O ex-vereador Carlos Bolsonaro endossou as críticas à transferência, afirmando que seu pai "não tem que ir para presídio nenhum, ele tem que ir para casa". Para o filho do ex-mandatário, Jair é alvo de uma "perseguição política" e sofre uma "tortura psicológica diária".
Já o líder do Partido Liberal na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, afirmou que o Brasil vive o que classificou como um "regime de arbítrio judicial". "É autoritarismo de toga, abuso de poder institucionalizado, a caneta transformada em ferramenta de perseguição", comentou, defendendo a prisão domiciliar para Jair Bolsonaro.
O líder do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados, Lindbergh Faria, afirmou que a transferência busca assegurar a "segregação adequada de quem foi condenado como líder de organização criminosa, sem qualquer improviso ou exceção". O deputado ainda mencionou as condições "ainda mais favoráveis" do ex-presidente na Papudinha.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) lembrou que a mudança responde a demandas de aliados de Bolsonaro, que mencionaram, por exemplo, problemas com o ar-condicionado da Superintendência da Polícia Federal. "Por mim, Bolsonaro deveria viver as suas famosas palavras: 'Bandido tem que apodrecer na cadeia. Se cadeia é lugar ruim, é só não fazer a besteira que não vai para lá', concluiu.
O ministro da Secretaria Geral do governo Lula, Guilherme Boulos, reagiu publicando um vídeo antigo, no qual Bolsonaro diz: "A Papuda lhe espera. Boa estadia lá, valeu? Um forte abraço!". "Aqui se faz, aqui se paga", escreveu Boulos.