A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, realizou nesta quinta-feira (15) o discurso anual à nação, na Assembleia Nacional do país. Ela assumiu a responsabilidade devido ao sequestro perpetrado pelos EUA contra o presidente da República, Nicolás Maduro, e sua esposa, a deputada Cilia Flores, após uma invasão militar que incluiu bombardeios massivos que deixaram mais de 100 vítimas fatais no último dia 3 de janeiro.
No início de sua fala, Rodríguez pediu aos deputados que aplaudissem por um minuto todos os jovens "que morreram em combate contra o agressor invasor". Em seguida, Rodríguez destacou que uma de suas prioridades é libertar Maduro e Flores. "Quero transformar a dor em combate e em esperança para trazê-los de volta e libertá-los", declarou.
A mandatária apontou que o relatório de 2025, escrito e apresentado nesta quinta-feira (15) ao Poder Legislativo, foi elaborado pelo presidente Maduro. Segundo ela, o documento foi concluído seis horas antes de seu sequestro pelas tropas americanas. "Revisitei com ele um plano que ele mesmo nomeou e disse: 'vai se chamar Desafio Admirável, inspirado na Campanha Admirável do Libertador" Simón Bolívar, relatou Rodríguez.
Rodríguez destacou que, apesar das agressões estrangeiras, a Venezuela mantém um plano soberano para o seu desenvolvimento.
Nesse contexto, apontou que a recente invasão ao país teve início com o bloqueio naval imposto pelos EUA, que segundo Rodríguez buscou cercar as oportunidades da Venezuela como país exportador de energia, negando sua soberania de poder comercializar e negociar livremente produtos de sua indústria energética.
Rodríguez reiterou ainda que a Venezuela foi atacada por uma potência nuclear, em um fato inédito na história do país sul-americano. Para a presidente encarregada, a situação não pode passar despercebida, em um cenário no qual Washington aplica sua "Doutrina Monroe" para tentar se expandir, por meio do colonialismo e do imperialismo, para todos os cantos da América Latina e do Caribe.
Defesa da indústria petrolífera
Rodríguez também mencionou a importância da nacionalização da indústria petrolífera, alcançada pelo ex-presidente Hugo Chávez. Nesse sentido, apontou que o presidente Maduro tem sido um fiel defensor da soberania da indústria petrolífera venezuelana e, sob esses mesmos termos, ela defende esses tratados e as leis em vigor, apesar das ameaças de "uma potência nuclear letal".
"Toda a Venezuela está ameaçada", enfatizou a presidente encarregada, que disse não ter medo de enfrentar, e "enfrentar sem medo", os EUA pela via diplomática. Nesse sentido, ela adiantou que, se tiver que ir a Washington para trabalhar pela paz dos venezuelanos, irá com dignidade e de cabeça erguida, não "arrastada" como fazem outras "classes políticas" que tentam usurpar o poder político da Venezuela.
"Sabemos que eles são uma potência nuclear letal, sabemos, e não temos medo de enfrentá-los diplomaticamente", disse Rodríguez, que apelou a todo o país, independentemente da "cor política", a "ir juntos como venezuelanos para defender a independência, a integridade territorial e nossa honra". "Chega de classes políticas que usurpam o que é ser político para se entregar às ordens de Washington", disparou.
Caracas tem direito a manter relações com China, Rússia e Cuba
Durante sua fala, Rodríguez destacou o direito nacional da Venezuela de manter relações energéticas com outras nações, incluindo com Washington.
"Venezuela tem direito a manter relações com China, com Rússia, com Cuba, com Irã, com todos os povos do mundo, e com os Estados Unidos também, fazendo-o de maneira respeitosa", expressou.
- A Mensagem Anual à Nação é um ato constitucional, no qual o presidente se apresenta perante a Assembleia Nacional para dar detalhes sobre a gestão do governo, questões políticas, econômicas e sociais do país, bem como os objetivos futuros para o desenvolvimento da população.