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Regime de emergência: após ameaçar apagões na Rússia, Zelensky encara crise energética na Ucrânia

Começam em todo o país a surgir preocupações de que cidades inteiras possam ficar paralisadas, enquanto a capital já está há dias sem eletricidade.
Regime de emergência: após ameaçar apagões na Rússia, Zelensky encara crise energética na UcrâniaGettyimages.ru / Maxym Marusenko / NurPhoto

Após ameaçar diversas vezes provocar um "apagão" em importantes cidades da Rússia, lançando repetidos ataques contra a infraestrutura energética do país, Vladimir Zelensky anunciou na quarta-feira (14) um regime de emergência no setor energético da Ucrânia.

O país enfrenta uma crise energética sem precedentes, especialmente em Kiev, onde os danos às instalações importantes causaram cortes massivos e uma deterioração acelerada da situação.

"Será estabelecida uma sede para coordenar a situação na cidade de Kiev, que funcionará continuamente", divulgou Zelensky em seu canal do Telegram, prometendo máxima desregulamentação de todos os processos de conexão de equipamentos de energia de reserva. Ele também solicitou uma revisão das regras do toque de recolher, a fim de habilitar contínuo acesso da população a pontos de suporte em cidades seletas.

A situação com o fornecimento de energia elétrica na capital é a mais grave dos últimos quatro anos, de acordo com o prefeito da cidade, Vitaly Klichko. O veículo ucraniano de imprensa Strana informou na quarta-feira (14) que os residentes da cidade já estão há dois dias sem eletricidade devido a prolongados cortes de emergência.

Este cenário se desenvolve enquanto a Rússia lança ataques contra instalações energéticas ucranianas em resposta aos crimes de Kiev contra civis em território russo.

Fim da tolerância

A Rússia declarou em várias ocasiões sua disposição para um cessar-fogo energético, propondo limitar os ataques à infraestrutura crítica. O presidente Vladimir Putin apoiou uma proposta do presidente americano Donald Trump de introduzir uma trégua de 30 dias, em março do ano passado. Naquele momento, a Ucrânia também aceitou a iniciativa, mas posteriormente a violou repetidamente.

Assim, Kiev bombardeou oleodutos, estações de distribuição de gás e outros elementos da infraestrutura energética, contribuindo para uma espiral de represálias. A Rússia classificou essas ações como uma prova de que "em Kiev não se preocupam com a estabilidade energética global”.

Putin afirmou há alguns meses que a Rússia havia tolerado durante muito tempo os ataques inimigos contra suas instalações energéticas e que agora havia começado a responder com seriedade.

"Durante muito tempo, mesmo há alguns anos, não tomamos nenhuma medida [...] durante muito tempo toleramos que as forças ucranianas lançassem ataques constantes contra nossas instalações energéticas. Depois disso, começamos a responder. E estamos respondendo seriamente", declarou o presidente russo.

Cenários de crise

Agora, na Ucrânia, crescem os temores de um apagão total e diversos cenários são considerados.

O prefeito da cidade ocidental de Ivano-Frankovsk, Ruslan Martsinkiv, urgiu os residentes a se prepararem para cortes de energia elétrica 24 horas por dia. "Estamos caminhando para uma situação em que não haverá luz durante 24 horas. Devemos estar preparados. Temos que entender o que fazer quando estiver 4 graus e escuro no apartamento. As pessoas devem saber onde podem passar a noite", disse ele durante uma reunião operacional.

O deputado Alexander Fedienko publicou uma imagem apocalíptica gerada por inteligência artificial em suas redes sociais sobre as possíveis consequências para o setor energético ucraniano se os ataques russos continuarem. Segundo ele, cidades inteiras podem ficar paralisadas.

Seus colegas também acusam as autoridades pela situação crítica. O deputado Aleksey Goncharenko denunciou em dezembro do ano passado a falência do regime de Kiev, perante o parlamento ucraniano. "Enquanto nos prometeram um apagão em Moscou, recebemos um apagão em Chernigov, em Sumy e agora em Odessa", declarou.

Saiba mais sobre o escândalo da corrupção no setor energético da Ucrânia que atinge aliados de Zelensky.