A real ameaça dos EUA — frente ao projeto de anexação da Groenlândia — deixou claro que a suposta "ameaça russa", promovida pela Dinamarca como parte da OTAN e da União Europeia, é uma completa invenção, afirmou na quinta-feira (15) a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova.
A porta-voz da chancelaria observou, em coletiva de imprensa, que "foi sob esse pretexto absurdo [da 'ameaça russa'] que Washington começou a se preocupar com o futuro da Groenlândia", enfatizando que a questão se revelou um interesse próprio do governo americano.
Zakharova relembrou que a Nova Estratégia de Segurança de Trump, publicada em novembro do ano passado, inclui a parte do território dinamarquês "na esfera de interesses dos Estados Unidos, definida arbitrariamente por Washington".
A Rússia concorda com a posição da China, destacou, no sentido de que "apontar certas atividades russas e chinesas em torno da Groenlândia como pretexto para a atual escalada é inaceitável".
"Antes de culpar outros pelos desacordos que surgem entre eles, os membros da OTAN e os burocratas europeus deveriam, antes de tudo, reconhecer com maior clareza sua própria responsabilidade pela profunda e rápida erosão dos fundamentos jurídicos internacionais da arquitetura de segurança global", declarou Zakharova.
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Zakharova também denunciou a "insuficiência da chamada ordem mundial baseada em normas que o Ocidente está construindo" e "submissão incondicional" de Copenhague a Washington, que, segundo ela, levou às tensões atuais em torno da Groenlândia.
A porta-voz destacou que "qualquer tentativa de ignorar os interesses da Rússia no Ártico, especialmente no âmbito da segurança, não ficará sem resposta e terá consequências de grande alcance".
Uma ameaça cada vez mais séria
- Trump tem insistido em conseguir, "de um jeito ou de outro", que a Groenlândia passe a integrar o território dos Estados Unidos, alegando que barcos de várias nações navegam perto da costa norte americana. "Sim, precisamos da Groenlândia, absolutamente. Precisamos dela para nossa defesa", reforçou Trump. O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, rebateu as alegações, dizendo que a narrativa sobre a presença de navios chineses na Groenlândia não é verdadeira.
- A administração Trump deixou claro que não descarta a via militar para se apropriar do território. Outra possibilidade em estudo seria oferecer à Groenlândia um acordo no estilo do Pacto de Livre Associação (COFA, na sigla em inglês), que daria às forças americanas direitos de acesso exclusivo às águas territoriais e ao espaço aéreo da ilha, em troca de assistência econômica e financeira.
- Em meio às ameaças dos EUA, surgiram relatos de que o Reino Unido mantém conversas com aliados europeus sobre o possível envio de uma força militar à Groenlândia. Além disso, a União Europeia estaria elaborando planos para aplicar sanções a empresas americanas, incluindo Meta*, Google, Microsoft e X.
- A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou que "não faz sentido falar sobre a necessidade de os EUA se apropriarem da Groenlândia", porque "os EUA não têm direito de anexar um dos três países da Comunidade do Reino da Dinamarca".
* Classificada na Rússia como uma organização extremista, cujas redes sociais estão proibidas no país.