Os Estados Unidos violaram suas obrigações legais internacionais ao sequestrar e deter o presidente venezuelano Nicolás Maduro, afirmou nesta quinta-feira (15) a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova.
"Nicolás Maduro, como chefe de Estado, goza de imunidade absoluta perante a jurisdição dos Estados Unidos ou de qualquer outro Estado, com exceção, obviamente, da Venezuela", declarou a porta-voz, enfatizando que qualquer decisão judicial de uma corte americana contra o presidente venezuelano seria igualmente ilegal.
Antecipando a alegação de que Maduro não teria mais a imunidade de um chefe de Estado, em razão de sua destituição, Zakharova objetou a falha fundamental desta lógica. "Esse argumento não pode ser levado em consideração", avaliou. "Sua destituição do cargo ocorreu como resultado de uma operação militar ilegal conduzida pelos próprios EUA".
Agressão contra a Venezuela e sequestro de Maduro
- Os EUA lançaram um ataque militar massivo em território venezuelano no dia 3 de janeiro. A operação terminou com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, que foram levados para Nova York.
- Caracas classificou as ações de Washington como uma "gravíssima agressão militar" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação".
- Maduro se declarou inocente frente às acusações de narcoterrorismo, em 5 de janeiro, em sua primeira audiência perante a Justiça dos EUA no Tribunal do Distrito Sul de Nova York. Flores procedeu da mesma forma.
- A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, tomou posse em 5 de janeiro como presidente encarregada do país sul-americano.
- Muitos países do mundo, entre eles a Rússia e a China, pediram a libertação de Maduro e sua esposa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia destacou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu destino sem qualquer intervenção externa. "Reafirmamos a solidariedade inabalável da Rússia com o povo e o governo venezuelanos. Desejamos à presidente encarregada Delcy Rodríguez sucesso na resolução dos desafios que a República Bolivariana enfrenta. Por nossa parte, expressamos nossa disposição de continuar a prestar o apoio necessário ao nosso país amigo, a Venezuela", acrescentou.