As Forças Armadas da Dinamarca seriam obrigadas a responder com força às tropas dos Estados Unidos caso Washington tentasse anexar a Groenlândia por meio do uso da força. A afirmação foi feita na quarta-feira (14) por Tobias Roed Jensen, porta-voz do Comando de Defesa dinamarquês, em entrevista ao site The Intercept.
"Unidades militares dinamarquesas têm o dever de defender o território dinamarquês se ele for alvo de um ataque armado, incluindo a adoção de medidas defensivas imediatas, se necessário", declarou Jensen.
Nesse contexto, o porta-voz militar citou um decreto real de 1952, válido para todo o Reino da Dinamarca, incluindo a ilha ártica.
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Segundo Jensen, o decreto garante que "as forças dinamarquesas possam agir para defender o Reino da Dinamarca em situações em que o território dinamarquês ou unidades militares do país sejam atacados, mesmo quando as circunstâncias tornam impossível aguardar novas instruções políticas ou militares".
Uma ameaça cada vez mais séria
- Trump tem insistido em conseguir, "de um jeito ou de outra", que a Groenlândia passe a fazer parte dos Estados Unidos, alegando que barcos de várias nações navegam perto da costa norte americana e que, por isso, Washington precisa "ficar atento". "Sim, precisamos da Groenlândia, absolutamente. Precisamos dela para nossa defesa", reforçou Trump.Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, rebateu dizendo que a narrativa sobre a presença de navios chineses na Groenlândia não é verdadeira.
- A administração Trump deixou claro que não descarta a via militar para se apropriar do território. Outra possibilidade em estudo seria oferecer à Groenlândia um acordo no estilo do Pacto de Livre Associação (COFA, na sigla em inglês), que daria às forças americanas direitos de acesso exclusivo às águas territoriais e ao espaço aéreo da ilha, em troca de assistência econômica e financeira.
- Em meio às ameaças dos EUA, surgiram relatos de que o Reino Unido mantém conversas com aliados europeus sobre o possível envio de uma força militar à Groenlândia. Além disso, a União Europeia estaria elaborando planos para aplicar sanções a empresas americanas, incluindo Meta*, Google, Microsoft e X.
- A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou que "não faz sentido falar sobre a necessidade de os EUA se apropriarem da Groenlândia", porque "os EUA não têm direito de anexar um dos três países da Comunidade do Reino da Dinamarca".
*Classificada na Rússia como uma organização extremista, cujas redes sociais estão proibidas no país.