A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou que manteve uma "longa, produtiva e cordial" conversa pelo telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quarta-feira (14).
Segundo ela, o diálogo ocorreu "em um ambiente de respeito mútuo", no qual os líderes abordaram "uma agenda de trabalho bilateral em benefício de nossos povos, bem como questões pendentes na relação entre nossos governos".
Mais cedo, Trump comentou sobre a chamada telefônica, classificando-a como uma "ótima conversa", mencionando que teve uma "longa" duração e que dialogaram sobre "muitas coisas", sem fornecer mais detalhes. Além disso, chamou Rodríguez de uma "ótima pessoa".
"Tivemos uma excelente conversa hoje. Ela é uma ótima pessoa. É alguém com quem temos trabalhado muito bem. O [secretário de Estado] Marco Rubio está tratando com ela. Eu cuidei disso esta manhã. Tivemos uma longa conversa por telefone. Falamos sobre muitas coisas. E acho que nos damos muito bem com a Venezuela", disse Trump em resposta a uma pergunta da imprensa na Casa Branca.
Boas relações?
Em outras ocasiões, o presidente norte-americano falou positivamente de Rodríguez, que tomou posse como presidente encarregada em 5 de janeiro. Ela substitui temporariamente o presidente Nicolás Maduro, que foi sequestrado por forças americanas em 3 de janeiro, no contexto de um ataque militar contra Caracas, e transferido ilegalmente para Nova York, onde permanece preso junto com sua esposa, a deputada Cilia Flores.
Em 9 de janeiro, Trump declarou à imprensa que ele e outros membros de sua administração se dão "extremamente bem com as pessoas que comandam a Venezuela" e não descartou um encontro com o atual mandatária do país sul-americano, embora tenha esclarecido que a reunião que realizará em Washington com representantes de Caracas ainda não foi devidamente organizada.
Trump afirmou repetidamente que ele e alguns de seus associados próximos, como Rubio e o secretário de Guerra Peter Hegseth, controlam a nação bolivariana, chegando a publicar uma imagem na qual se autoproclamou "presidente interino" da Venezuela.
Em resposta, Rodríguez reiterou que é ela quem está no comando: "Vi charges na Wikipédia sobre quem está no poder na Venezuela. Bem, aqui na Venezuela há um governo no poder, aqui há uma presidente intencarregada e há um presidente sendo mantido como refém nos EUA", declarou na segunda-feira (12).
Agressão contra a Venezuela e sequestro de Maduro
- No sábado (3), os EUA lançaram um ataque militar massivo em território venezuelano. A operação terminou com o sequestro de Maduro e Flores, que foram levados para Nova York.
- Caracas classificou as ações de Washington como uma "gravíssima agressão militar" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação".
- Maduro se declarou inocente na segunda-feira (5) em sua primeira audiência perante a Justiça dos EUA no Tribunal do Distrito Sul de Nova York, acusado de narcoterrorismo. Flores procedeu da mesma forma.
- A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, tomou posse na segunda-feira (5) como presidente encarregada do país sul-americano.
- Muitos países do mundo, entre eles a Rússia e a China, pediram a libertação de Maduro e sua esposa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia destacou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu destino sem qualquer intervenção externa. "Reafirmamos a solidariedade inabalável da Rússia com o povo e o governo venezuelanos. Desejamos à presidente encarregada Delcy Rodríguez sucesso na resolução dos desafios que a República Bolivariana enfrenta. Por nossa parte, expressamos nossa disposição de continuar a prestar o apoio necessário ao nosso país amigo, a Venezuela", acrescentou.