O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou sua vontade de tomar a Groenlândia sob justificativa de necessidades de defesa. A fala foi feita antes de uma reunião com diplomatas europeus em Washington, conforme informou a Bloomberg, nesta quarta-feira (14).
Os chanceleres da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, e da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, se reunirão na Casa Branca com o vice-presidente norte-americano, J. D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, para esclarecer as verdadeiras intenções de Washington e convencer as autoridades norte-americanas de que não há necessidade de assumir o controle da ilha, que, segundo os dinamarqueses, os americanos já podem usar para fins militares, de acordo com o acordo de defesa de 1951 entre os dois países.
Trump recusou-se a descartar o uso da força militar para tomar o controle da ilha. O presidente norte-americano explicou a necessidade como uma medida para dominar o controle da região do Ártico e convidou as autoridades europeias a apoiarem seus esforços. Trump também salientou que é essencial para sucesso do seu plano de defesa antimísseis "Domo de Ouro".
"A OTAN se torna muito mais formidável e eficaz com a Groenlândia nas mãos dos ESTADOS UNIDOS", afirmou ele na sua conta na rede social Truth Social.
"Militarmente, sem o vasto poder dos Estados Unidos, grande parte do qual construí durante o meu primeiro mandato e estou agora levando a um novo e ainda mais elevado nível, a OTAN não seria uma força eficaz nem um elemento dissuasor — nem de longe! Eles sabem disso, e eu também", acrescentou ele.
Trump deseja tomar a Groenlândia?
- Trump está determinado a tornar a Groenlândia parte dos EUA "de um jeito ou de outro", argumentando que navios de diversas nações navegam perto da costa norte dos EUA, então Washington precisa "ter cuidado". "Sim, nós precisamos da Groenlândia. Precisamos dela para nossa defesa", insistiu Trump.
- A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que "não faz sentido falar sobre a necessidade de os EUA tomarem a Groenlândia. Os EUA não têm o direito de anexar um dos três países da Commonwealth do Reino da Dinamarca."
- Em 3 de janeiro, Katie Miller, esposa do chefe de gabinete adjunto da Casa Branca, Stephen Miller, publicou uma imagem de um mapa da Groenlândia com as cores da bandeira americana e a legenda "em breve".
- O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, classificou a foto como "desrespeitosa" e reiterou que o país "não está à venda".
- Mais tarde, o próprio Stephen Miller afirmou que "para que os Estados Unidos garantam a segurança da região do Ártico, para proteger e defender a OTAN e seus interesses, obviamente a Groenlândia deveria fazer parte dos Estados Unidos".
- A administração Trump deixou claro que não descarta a via militar para se apoderar do território. Também pondera a possibilidade de oferecer à Groenlândia um acordo ao estilo dos Pactos de Associação Livre (COFA, na sigla em inglês), uma fórmula que daria às forças americanas direitos de acesso exclusivo às águas territoriais e ao espaço aéreo da Groenlândia, em troca de assistência econômica e financeira.
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