EUA buscam justificativa legal para dezenas de petroleiros, diz imprensa americana

Segundo fontes da Reuters, o governo norte-americano apresentou múltiplos pedidos de confisco civil em tribunais, solicitando a apreensão tanto das cargas de petróleo quanto dos próprios navios.

As autoridades norte-americanas apresentaram pedidos junto seus aos tribunais com o objetivo de obter mandados para a apreensão de várias dezenas de petroleiros ligados à Venezuelainformou a Reuters nesta terça-feira.

O governo dos EUA já havia utilizado um esquema semelhante, obtendo autorizações para confiscar bens através dos tribunais federais distritais, principalmente em Washington, e, efetivamente, detendo navios com petróleo.

Segundo a agência Reuters, citando fontes informadas, a quantidade exata de mandados solicitados e já aprovados ainda permanece incerta.

Apenas nas últimas semanas, forças militares dos EUA, em conjunto com a Guarda Costeira, interceptaram cinco navios em águas internacionais que transportavam petróleo venezuelano

Como observam fontes da Reuters no setor marítimo, observa-se uma clara escalada nas ações dos EUA. Se antes as autoridades norte-americanas confiscavam principalmente a carga de petróleo, agora os próprios petroleiros se tornaram alvo. 

Agressões dos EUA

Escalada militar: em agosto, os Estados Unidos enviaram navios de guerra, submarino, caças e tropas para a costa da Venezuela, sob o pretexto de "combater o narcotráfico". Desde então, foram realizados vários bombardeios a supostas lanchas com drogas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, matando dezenas de pessoas.

Falsos pretextos: Washington acusou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sem provas ou fundamentação, de liderar um suposto "cartel de drogas". As mesmas acusações infundadas foram feitas contra o presidente colombiano Gustavo Petro, que condenou os ataques mortais contra embarcações nas águas da região.

Infiltrações de inteligência: Donald Trump admitiu ter autorizado a CIA a realizar operações secretas em território venezuelano, em meados de outubro. Maduro indagou: "Alguém acredita que a CIA não opera na Venezuela há 60 anos? (...) [Que] não conspira contra o comandante Chávez e contra mim há 26 anos?", perguntou ele.

Postura venezuelana: Maduro denuncia que o verdadeiro objetivo dos EUA é uma "mudança de regime" para se apoderar da imensa riqueza de petróleo e gás da Venezuela.

Condenação internacional: O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou os bombardeios realizados pelos EUA contra pequenas embarcações, sob alegações de "combate ao narcotráfico", que resultaram em pelo menos 129 mortos. Os bombardeios também foram condenados pelos governos de países como Rússia, Colômbia, México e Brasil. Peritos da ONU afirmaram que as ações americanas se tratam de "execuções sumárias", em violação ao direito internacional.