Irã responde ameaças de Trump: 'Este roteiro já fracassou antes, o povo iraniano defenderá seu país'

Teerã instou o Conselho de Segurança da ONU a condenar a incitação à violência e as ameaças de uso da força por parte dos Estados Unidos.

O governo iraniano denunciou à Organização das Nações Unidas (ONU) as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem acusa de incitar a violência dentro do país persa e de ameaçar suas autoridades com uma intervenção militar.

Em uma carta dirigida ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e ao atual presidente do Conselho de Segurança do organismo internacional, Abukar Dahir Osman, a missão permanente do Irã na ONU concentra-se nas declarações feitas por Trump nesta terça-feira (13), nas quais convocou manifestantes iranianos a continuarem protestando, a tomarem o controle de suas instituições, além de lhes garantir que "a ajuda está a caminho".

"Esta declaração imprudente fomenta explicitamente a desestabilização política, incita e convida à violência e ameaça a soberania, a integridade territorial e a segurança nacional da República Islâmica do Irã", sustenta o documento.

A missão iraniana classifica tais ações como uma "violação flagrante dos princípios fundamentais do direito internacional consagrados na Carta das Nações Unidas, em particular a proibição da ameaça ou do uso da força" e "o princípio da não intervenção nos assuntos internos dos Estados".

O Irã destaca que essa "retórica intervencionista" faz parte de uma tendência contínua e crescente, "voltada para a desestabilização política", por parte do presidente dos EUA e registrada durante as últimas semanas.

Simultaneamente, enfatiza-se que as declarações de Trump devem ser consideradas dentro de um contexto mais amplo, que inclui a "guerra fracassada de 12 dias" contra o Irã, em junho passado, e como parte integrante de uma "política mais ampla destinada à mudança de regime".

Essa política, segundo a missão diplomática iraniana, é aplicada por meio da chamada campanha de "pressão máxima", da intensificação de sanções unilaterais, da desestabilização social e econômica deliberada, da propagação sistemática da insegurança e da incitação dos jovens a confrontarem o governo iraniano.

Portanto, Teerã responsabiliza diretamente Washington e o regime israelense pela perda de vidas de civis inocentes, em particular entre os jovens, que ocorreu como consequência dessa política.

Dito isso, o Irã apela ao secretário-geral e ao Conselho de Segurança para que condenem "inequivocamente" a incitação à violência, as ameaças de uso da força e a interferência nos assuntos internos do Irã por parte de Washington, e induzam os EUA e Israel a "pôr fim imediatamente às políticas e práticas desestabilizadoras".