
Chancelaria russa comenta situação tensa no Irã

Moscou atribui a atual situação interna no Irã à pressão das sanções ocidentais em meio aos violentos protestos no país persa, afirmou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, nesta terça-feira (13). Ela destacou que a Rússia "condena veementemente a interferência subversiva externa nos processos políticos internos do Irã".

De acordo com a porta-voz, as "medidas ilegais" aplicadas durante anos dificultam o desenvolvimento do país e geram problemas econômicos e sociais afetando principalmente os cidadãos comuns. Segundo a porta-voz, o "governo do país se mostra disposto a dialogar de forma construtiva com a sociedade" para mitigar os impactos desses problemas.
Zakharova destacou que as forças externas hostis tentam se aproveitar dessa tensão social para "desestabilizar e destruir" o Estado iraniano fazendo uso dos "infames métodos das 'revoluções coloridas'" e por ação de provocadores "especialmente treinados e armados" que agem "seguindo instruções do exterior".
A porta-voz também classificou como "completamente inadmissíveis" as ameaças de Washington de "lançar novos ataques militares contra o território da República Islâmica do Irã" e destacou as "marchas massivas" em apoio à soberania da República Islâmica como prova do fracasso dos "planos sinistros" daqueles que se recusam a aceitar a existência de Estados com políticas externas independentes. Ela acrescentou que a Rússia continua mantendo contato com suas missões diplomáticas no Irã.
Protestos no Irã
Os protestos eclodiram no final de 2025, depois que comerciantes da capital Teerã fecharam seus negócios em protesto contra a desvalorização do rial iraniano, que caiu para mínimos históricos em relação ao dólar americano, informam os meios de comunicação locais.
As autoridades admitiram as pressões econômicas que a população suporta e sinalizaram que as manifestações pacíficas são legítimas. "Devemos melhorar nosso desempenho e prestar atenção aos resultados de nossas ações", afirmou o presidente Masoud Pezeshkian.
Incidentes provocados
No entanto, o governo alertou sobre a presença de indivíduos ligados a serviços de inteligência estrangeiros que, segundo afirma, procuram provocar distúrbios e desvirtuar os protestos.
No município de Malekshahi, na província ocidental de Ilam, foram registrados confrontos entre as forças de segurança e manifestantes no sábado, 3 de janeiro. Um pequeno grupo atacou um hospital e causou destruição nas vias públicas. Pelo menos três manifestantes e um policial morreram, além de vários feridos, segundo informou a agência Mehr.
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