China impõe cota e sobretaxa para importações de carne do Brasil

A medida entrou em vigor em 1º janeiro, afetando volumes acima de 1,1 milhão de toneladas; produtores brasileiros projetam queda de preços e redução da produção no país.

A China, principal destino das exportações brasileiras de carne bovina, adotou desde 1º de janeiro uma cota de importação de 1,1 milhão de toneladas, com tarifa de 12%.

Volumes acima desse limite passam a pagar uma tarifa de 55%. Como o Brasil exportou cerca de 1,7 milhão de toneladas em 2025, aproximadamente 600 mil toneladas ficariam sujeitas à alíquota mais elevada.

A medida leva o Brasil a reavaliar o nível de produção, já que o país asiático responde por 48% da carne bovina exportada.

O produto representa 18% das vendas externas do agronegócio, atrás apenas da soja, com 31%. Analistas apontam que frigoríficos e produtores devem ser afetados, com possível queda de preços, considerada "abrupta" por representantes do setor, e recuo de até 35% na produção.

Segundo o setor, embora "o Brasil exporte mais para o México, Oriente Médio ou EUA", esses mercados não substituem o chinês, o que deve gerar "impacto na produção".

Do recorde à desaceleração

Em 2024, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram recorde de 3,5 milhões de toneladas, com receita de US$ 18 bilhões (R$ 97 bilhões), alta de 20,9% sobre 2023. A China liderou as compras em 2025, com quase 1,7 milhão de toneladas.

Neste ano, os números podem cair, já que entraram em vigor tarifas adicionais de 55% para volumes acima das cotas. Além do Brasil, a medida afeta Argentina, Uruguai, Estados Unidos e Austrália.

Após três décadas de crescimento, o consumo de carne bovina na China deve recuar 2,5% em 2026, para 11,29 milhões de toneladas.