'Temos uma República soberana e independente', diz Delcy Rodríguez

A presidente encarregada da Venezuela ressaltou o caráter de resiliência da população venezuelana.

A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nesta terça-feira (13) que o país "resiste, se supera e avança" apesar das agressões sofridas recentemente devido à invasão norte-americana e ao sequestro do presidente Nicolás Maduro.

"Hoje reafirmamos que temos uma República soberana e independente", escreveu ela no Telegram, por ocasião da retomada das atividades escolares.

Rodríguez detalhou que, na segunda-feira (12), mais de seis milhões de estudantes retornaram às salas de aula. Da mesma forma, novas escolas foram entregues e mais de 1.700 centros educativos foram recuperados em todo o país.

"Em meio ao bloqueio criminoso, garantimos educação de qualidade, o Programa de Alimentação Escolar, espaços dignos e um bom futuro", declarou em sua publicação.

"Para que devem servir os recursos?"

Durante sua visita a um dos centros escolares, Rodríguez reafirmou "a soberania e a independência da Venezuela" e ressaltou que os recursos petrolíferos do país serão sempre destinados a "garantir" o futuro das crianças.

"Para que devem servir os recursos derivados de nossos recursos petrolíferos energéticos? Para nossas crianças, para garantir seu futuro, para garantir sua alimentação, mas sobretudo para garantir uma educação de qualidade", declarou.

Agressões dos EUA

Escalada militar: em agosto, os Estados Unidos enviaram navios de guerra, submarino, caças e tropas para a costa da Venezuela, sob o pretexto de "combater o narcotráfico". Desde então, foram realizados vários bombardeios a supostas lanchas com drogas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, matando dezenas de pessoas.

Falsos pretextos: Washington acusou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sem provas ou fundamentação, de liderar um suposto "cartel de drogas". As mesmas acusações infundadas foram feitas contra o presidente colombiano Gustavo Petro, que condenou os ataques mortais contra embarcações nas águas da região.

Infiltrações de inteligência: Donald Trump admitiu ter autorizado a CIA a realizar operações secretas em território venezuelano, em meados de outubro. Maduro indagou: "Alguém acredita que a CIA não opera na Venezuela há 60 anos? (...) [Que] não conspira contra o comandante Chávez e contra mim há 26 anos?", perguntou ele.

Postura venezuelana: Maduro denuncia que o verdadeiro objetivo dos EUA é uma "mudança de regime" para se apoderar da imensa riqueza de petróleo e gás da Venezuela.

Condenação internacional: O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou os bombardeios realizados pelos EUA contra pequenas embarcações, sob alegações de "combate ao narcotráfico", que resultaram em pelo menos 129 mortos. Os bombardeios também foram condenados pelos governos de países como Rússia, Colômbia, México e Brasil. Peritos da ONU afirmaram que as ações americanas se tratam de "execuções sumárias", em violação ao direito internacional.