A história da América Latina está repleta de exemplos de liderança altruísta. No entanto, vários países da região sobreviveram a ditaduras de governantes que consideravam suas nações como um recurso do qual se apropriar. Um exemplo disso foi o governo da família Duvalier, liderados por François Duvalier (apelidado de "Papa Doc") e seu filho, Jean-Claude Duvalier, o "Baby Doc". Ambos os mandatários fizeram o Haiti retroceder décadas, fortalecendo mecanismos de repressão a opositores e corrupção sistêmica.
François Duvalier, conhecido como "Papa Doc" pela sua profissão de médico, chegou ao poder em 1957, criando um sistema de represálias contra seus oponentes ao frustrar um golpe de estado no ano seguinte. Os voluntários de segurança nacional, conhecidos como Tonton Makut, foram utilizados para aterrorizar a população, através de uma série de torturas e assassinatos contra qualquer suspeito de ser um opositor político.
Além da violência direta, Papa Doc utilizava o esoterismo e a negritude como instrumentos retóricos, defendendo um "nacionalismo negro" para manter apoio de setores populares. Suas posições anti-comunistas permitiram angariar apoio dos Estados Unidos.
Em 1964, se autoproclamou presidente vitalício, criando um mecanismo para transferir o poder ao seu filho após a morte. Jean-Claude Duvalier, apelidado de "Baby Doc", assumiria o poder em 1971. Com 19 anos, ele se transformou no presidente mais jovem da história contemporânea.
Ele seguiu governando através de corrupção e repressão, sempre amparado por Washington. Sua família possuía riquezas e esbanjava uma vida luxuosa, enquanto a maioria dos haitianos sobreviviam em condições de extrema pobreza.
Baby Doc foi derrubado em 1986, quando fugiu para a França junto com sua mulher e filhos. Nenhum dos dois ditadores respondeu na justiça pelas atrocidades perpetradas durante os quase 30 anos de seu regime, que para muitos resultou em parte na profunda crise atual vivida no Haiti.